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Arquivo do autor:Cristiano Cuty

Sobre Cristiano Cuty

Escritor, designer, editor, rpgista, trekker, montanhista, pseudo-mergulhador, arqueiro, twitteiro, pseudo-comunicador, aventureiro, blogueiro, pseudo-fotógrafo, cinéfilo, literaturéfilo, mochileiro e muitas outras coisas com "eiro, éfilo e or"...

Tudo acaba…

Seja por amor, seja por apego, ou simplesmente pelo desejo vão da continuidade indefinida, tentamos sempre impedir o fim ou, pelo menos, prolongar a existência de tudo o máximo que podemos. As reticências no título desse post demonstram o quanto é difícil para todos nós colocarmos um ponto final em nossas questões de vida.

E quando o ponto final é para a vida em si, a dificuldade é quase tão grande quanto a vontade de que o eterno seja a lei da existência.

Essa semana as reticências que vinham se prolongando transformaram-se em ponto final na vida de Seu Vicente, o meu vô Pipoca. Perdi meus avós paternos há alguns anos e já tinha me esquecido da dor que é perder alguém de quem se gosta tanto. Mas não vou ficar falando dessa dor. Ela vai permanecer aqui, por muito tempo, vai sumir por vezes e vai voltar latejando e momentos inesperados. E, um dia, vai se diluir nas emoções do dia a dia…

E vai ficar, além da lembrança terna, a certeza de que tudo tem um fim.

Por isso, decidi que este é o último post da Toca do Cuty. O blog existe desde 2006 e foi o espaço que usei para externar sentimentos, reclamar, escrever sobre meus projetos e devanear. Mas faz algum tempo que não tenho podido dedicar meu tempo à Toca e venho dando uma sobrevida desnecessária ao blog. Por isso, em homenagem ao Vô Pipoca, àquele que, mesmo sem querer, sempre nos ensinou muito sobre a vida, a Toca vai se calar agora e para permanecer num silêncio altivo pelo tempo em que os servidores do WordPress decidirem mantê-la no ar.

Jamais pensei que fosse finalizar a Toca com uma foto de time de futebol. Mas não é um time qualquer, é o Boca Júniors. Não aquele da Argentina, um muito mais importante e feroz, capaz de fazer o campo do distrito de Paula Lima ferver mais do que o La Bombonera. O time foi liderado pelo temido e furioso Seu Vicente, de pé torto e caráter reto. A foto não revela, mas esse Boca aí de baixo ostentava cores bem diferentes das do seu irmão argentino. Era tricolor: verde, branco e vermelho. Era o orgulho do Vô Pipoca!

A foto abaixo, restaurada, foi meu presente para ele na última vez em que o vi. Quando ele a pegou, demorou um pouco para ter certeza do que se tratava, mas logo começou a dizer os nomes dos jogadores e a relembrar os momentos sobre o gramado. Olhando nos seus olhos era possível ouvir o som da torcida, sentir o cheiro da terra que se solta ante a fúria das chuteiras, ouvir os gritos, os pedidos de passe, os gritos de gol. E pensando agora sobre aquele momento, sobre as lembranças que romperam o tempo e se refizeram na retina cansada de meu avô, compreendo as reticências do título, pois tudo acada… mas não na memória.

Vô Pipoca treinando seu Boca Júniors

Vô Pipoca treinando seu Boca Júniors

 
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Publicado por em setembro 28, 2012 em Devaneios

 
Citação

Eu ia retomar os textos do Toca com algo mais feliz, como os diários de bordo de minha viagem para a Itália ou algumas notas de produção do livro Contos Nórdicos. Mas, depois de duas noites acompanhando o meu avô na enfermaria da Santa Casa de Juiz de Fora, resolvi escrever um pouco sobre a sinfonia soturna preenche os corredores de um hospital na madrugada.

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Estou no sétimo andar. Ao meu lado, Seu Vicente consegue, finalmente, cochilar um pouco. O som de sua respiração profunda se intercala com o ronco grave e intermitente, vez por outra interrompido por uma tosse que é, ao mesmo tempo, seca e úmida. Está tranquilo, felizmente!

O mesmo não posso dizer de alguém que está na unidade coronariana. Os auto-falantes acabam de requistar a presença de algumas pessoas, com bastante urgência. A mensagem foi repetida cinco vezes… Isso fez calar um senhor do quarto ao lado, que falava, fazia mais de uma hora, sobre como a nicotina fora expelida de seu corpo na última vez em que ficara internado. Ficou um silêncio estranho, reflexivo, frio e escuro… Somente a respiração profunda, o ronco e os gemidos ecoam pelo quarto, vindos não só do meu lado, mas de todos os cantos e de fora, dos outros leitos, também. É uma canção de uma nota só, ou de várias notas e um só tom, eu não saberia dizer.

Mas sei de um novo som que passa, quase imperceptível pelos meus ouvidos. Ao fundo noto, quando foco minha audição e fico atento ao extremo, uma ladainha quase inaudível, proferida por uma senhora, acompanhante de seu marido, que parou de andar. Faz horas que ela começou a rezar e eu achei que ela já havia parado e estava dormindo. Mas, não, simplesmente diminuiu seu tom de voz e prosseguiu, persistente, pedindo a ajuda divina. É uma oração monotona e triste, carregada de dor e sofrimento, mas ainda assim, é reconfortante.

Somente a chegada do enfermeiro ao quarto interrompe a voz sutil da senhora e alguns dos roncos. É hora de procedimentos de rotina. O som plástico dos copinhos de comprimidos preenche o ambiente. Cada qual ao seu dono. Em seguida vem o gorgolejar de gargantas cansadas tentando engolir a salvação em forma de pílulas. Então, uma conversa aqui, um gemido ali, o tilintar das hastes dos soros, o barulho oco de rodinhas de camas, cadeiras e mesas de instrumentos e, por fim, o “boa noite” e o clique da luz se apagando novamente…

E no escuro, em meio roncos, rezas, arfares e gemidos de dor e agonia, o som dos passos, ora vigorosos, ora arrastados e lentos, é constante nos corredores, assim como os cliques do acender e do apagar intermitente das luzes, o “bip, bip” dos aparelhos medidores de pressão, o uivo dos nebulizadores e até mesmo a flatulência de alguns. Permaneço ouvindo, atento. Agora o objetivo é conseguir um ou outro cochilo e esperar pelo amanhã, pois o que importa é que a sinfonia continue, profunda e constante e que permaneça tudo bem, sempre!

Sons noturnos de uma enfermaria

 
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Publicado por em fevereiro 28, 2012 em Devaneios

 

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Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 9.400 times in 2011. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 3 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

 
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Publicado por em janeiro 5, 2012 em Internet, Inutilidades

 

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Então é Natal…

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Publicado por em dezembro 24, 2011 em Inutilidades

 

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Viajar é preciso…

 
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Publicado por em novembro 1, 2011 em Diário de Bordo

 

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Ditadura da Saúde

Tem tempo que estou querendo falar sobre essa nova ditadura que se instaurou nos meios de comunicação e, principalmente, nas atividades sociais ultimamente: a da saúde! É um tal de “não beba isso, não coma aquilo, faça isso pela manhã, aquilo à noite, passe esse treco na pele, vista esse e não aquele etc…”, que os seus desejos, as suas necessidades e vontades reais ficam sempre em segundo plano. E o pior, se você quer comer uma lasanha cheia de bacon, como essa da foto, tem gente que vai olhar para você com cara de nojo e com uma expressão quase discriminatória.

Vai uma lasanha aí?

Vai uma lasanha aí?

Não é que eu não queira ser saudável ou cuidar de minha saúde para levar a vida com um mínimo de conforto físico, mas abarcar a todas as idéias “saudáveis” que estão na mídia o tempo todo dizendo (ou melhor, ditando) como viver a vida, pode provocar um profundo desconforto mental, pelo menos para mim. Essa preocupação exacerbada com a saúde, ou ainda mais, com o físico, está formando seres humanos “robozinhos”, que seguem manuais da boa existência e se tornam pessoas cada vez mais frustradas consigo mesmas. É claro, não conseguem alcançar as promessas mirabolantes das revistas e chegar àquele corpo escultural das modelos que são apresentadas junto às matérias.

A coisa é tão feia que outro dia aquele programa da Globo “Bem Estar” demonstrou como usar o papel higiênico. Isso mesmo! É quase inacreditável, mas, desculpem o termo, alguém foi na TV ensinar como limpar a bunda! E o pior, tem gente que embarca. Um colega comentou outro dia que a avó dele, com mais de 70 anos, começou a higienizar as frutas que ia comer de maneira diferente (usando produtos e misturas próprias). Fazia 70 anos que ela simplesmente lavava as frutas de maneira adequada antes de comer e, de repente, surge alguém na TV dizendo que está errado e que deve usar produtos químicos ou sei lá o que para lavar…

O pior disso tudo é que os vilões de hoje serão os heróis de amanhã. Já parou para pensar em quantas teorias mirabolantes já existiram sobre o ovo. Teve médico sendo taxativo ao proibir consumo de ovos e hoje é incentivada a alimentação com ovos… Temos que ter em mente que por trás de cada matéria, de cada notícia, falando sobre os benefícios ou os malefícios de um determinado alimento, produto ou substância, há sempre a indústria, ávida por ganhar novos clientes com a oferta de uma vida saudável.

Não sou contra levar uma vida saudável. Pelo contrário. Sou a favor da atividade física, de uma alimentação balanceada e de uma vida dentro de limites. Mas esse exagero e esse radicalismo no que se diz a respeito da saúde é que me deixa indignado. Daqui a pouco ficaremos como nos filmes de ficção científica, em que o sal é proibido e em que para comer uma fatia de bacon você deve comprar o produto de um porcotraficante.

E, para não dizer que sou radical, compartilho abaixo o vídeo da Super Interessante, que consegue se mostrar contra as regras da “hiper-saúde”, mas ao mesmo tempo apresenta umas regrinhas bem simples e sem apelo à milagres (aliás, foi por causa desse vídeo que decidi escrever esse post):

 
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Publicado por em outubro 21, 2011 em Devaneios, Internet, Inutilidades, Opinião

 

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Ainda sobre o mérito…

Não vou falar muito, o vídeo fala por si só. O comentarista é meio nervosinho, mas fala verdades que deveriam ser ditas sempre na TV. Então, como falei de Mérito e Demérito aqui, achei bastante pertinente o vídeo abaixo:

 
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Publicado por em outubro 18, 2011 em Devaneios, Opinião

 

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