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A Guerra dos Tronos, pequena resenha (!!!!!)

26 abr

Eu sempre gostei de histórias de fantasia, mas infelizmente nunca me dei muito bem com os autores do gênero. Acho o Tolkien bastante chato de ler, apesar de possuir conceitos maravilhosos e uma riqueza de detalhes invejável, o texto não é agradável e algumas vezes chega a ser enfadonho. C. S. Lewis eu acho muito infantil, apesar de saber daquela velha história de que o infantil é apenas uma carapaça… E existem outros autores, de menos renome no panteão da literatura fantástica e que até agradam, mas acabam sendo para mim leituras despretensiosas… Por isso, acabei criando um gosto por ficção histórica (magistralmente representada por Bernard Cornwell) e deixando a fantasia apenas para as minhas mesas de RPG…

George R. R. Martin

George R. R. Martin

Até que surgiu George R.R. Martin (e o R. R. é em homenagem ao Tolkien) e mudou tudo! O autor das Crônicas de Gelo e Fogo, que já foi roteirista de T.V. e cinema simplesmente reinventou a fantasia. Ele não precisou abandonar dragões, criaturas sombrias, magia, climas totalmente avessos aos da terra, construções fabulosas e todas as características que sabemos, fazem parte de um autêntico universo de fantasia, para criar um universo e uma história tão coesa e verossímil. A abordagem de Martin é o diferencial. Se em Westeros (terra em que se passam as histórias de As Crônicas de Gelo e Fogo) o verão dura anos a fio isso é incrível, mas não esdrúxulo. Não há orcs ou goblins, mas há os Outros (ou Andarilhos Brancos) e Lobos Gigantes (ou Dire Wolves, os Lobos Atrozes do D&D) e… Dragões! Quer coisa mais clássica em fantasia do que Dragões? E tudo isso com uma roupagem adulta, que faz até o mais preconceituoso dos leitores se render ao gênero fantástico.

Guerra dos Tronos é o primeiro livro da heptalogia (são sete livros). Em inglês o livro chama-se Game of Thrones (Jogo dos Tronos), mas no português houve a troca por razões mercadológicas (?). O livro é publicado no Brasil pela editora Leya e sua tradução para o nosso idioma é, na verdade, uma adaptação da tradução feita para a edição portuguesa (editora Saída de Emergência). E para mim o grande pecado é exatamente a tradução. Sempre comentei que um dos segredos do sucesso dos livros do Cornwell nosso país era a tradução impecável, capaz de transmitir exatamente a essência do texto original do autor. Isso, infelizmente, não acontece em Guerra dos Tronos. O tradutor, Jorge Candeias, até publicou uma nota comentando a respeito da tradução e se retratando junto ao público, dizendo que quando fez o trabalho para o primeiro livro não estava totalmente preparado como tradutor. Mas, a minha opinião é que a edição brasileira, mesmo sendo feita anos depois da portuguesa, insistiu em algumas falhas bem importantes. E posso dizer isso sem dúvida, pois tenho ambas as versões (portuguesa e brasileira). Ainda não peguei o segundo volume (Fúria de Reis), mas amigos que já leram ou estão lendo disseram que a tradução melhora consideravelmente. De qualquer forma, a tradução não atrapalha. Se fosse melhor, a leitura seria mais agradável e interessante…

Mas, afinal, do que se trata Guerra dos Tronos?

Guerra dos Tronos

Guerra dos Tronos

Bem, é um livro grande: são 592 páginas em letra miúda e muito, muito conteúdo (e não se esqueça, são sete livros, sendo o primeiro, até agora, o menor). A grosso modo, o livro narra os desenlaces e conspirações existentes em sete reinos unificados após a morte do Mão do Rei (uma espécie de ajudante/primeiro ministro do rei). Lorde Eddard Stark, regente do Norte, é nomeado pelo Rei Robert Baratheon para se tornar a nova Mão e assumir seu posto em Porto Real, distante de casa. Mas há uma disputa pelo trono acontecendo por trás de uma espessa cortina conspiratória e as coisas não são tão simples. Associado a isso, estranhos eventos começam acontecer no entorno de uma imensa muralha de gelo de 200 metros de altura, construída há oito mil anos para proteger os sete reinos de um mal que há muito não demonstra qualquer sinal de existência; e, além do mar estreito, os últimos remanescentes da casa que governava os reinos antes de Baratheon se unem à uma casta de guerreiros na tentativa de retomar o poder. Ou seja, um caldeirão de conflitos e relações complicadas…

É difícil falar muito do livro sem dar spoilers, pois o autor, a despeito do tamanho dos volumes, é capaz de surpreender a cada capítulo. E surpreende mesmo! Não há momentos hollywoodianos em que o mocinho é salvo no último segundo. Se ele tiver que se livrar de um personagem ou se algum personagem tiver que se corromper (e isso for verossímil), pode ter certeza: vai acontecer. E este é outro aspecto em que Martin se destoa dos outros autores de fantasia: os personagens são cinza e não pretos ou brancos. O que quero dizer é que os personagens são humanos, com motivações humanas e, por isso, possuem falhas de caráter como qualquer ser humano. Não há maniqueísmo.

Outro aspecto importante do livro é que seus capítulos são divididos por personagens e são sempre do ponto de vista do personagem título do capítulo. Apesar de a narrativa não ser em primeira pessoa, quando lemos nunca temos a perspectiva de um narrador externo, mas sim a visão de um personagem daqueles fatos que o cercam. E, em alguns momentos, o ponto crucial da história acontece exatamente longe da percepção do personagem específico daquele capítulo, nos deixando sempre com meias verdades…

Para encerrar, as obras estão sendo adaptadas para a televisão numa série produzida pela HBO. Então, para quem não quer ler sete tomos gigantescos de mais de 500 páginas a série é uma opção. Mas é claro, óbvio e ululante que quem optar pela série vai perder MUITA coisa… Veja abaixo um dos trailers da série, mas novamente ressalvo: LEIA O LIVRO!

Post Scriptum:

1) Com Guerra dos Tronos Martin tornou-se o sexto autor mais vendido no Brasil nos últimos tempos.

2) Até agora apenas cinco dos sete livros estão prontos e no Brasil apenas dois deles foram publicados. Fãs temem que Martin (que já não é jovem e saudável) possa passar desta para melhor antes de finalizar todos os livros. O que Martin pensa disso? Ele vai escrever enquanto der. Se morrer, morreu! Eu penso que ele deveria entrar em contato com o Oscar Niemayer e pedir a ele um pouco do elixir da longa vida…

3) Na edição portuguesa o primeiro livro é dividido em dois volumes: A Guerra dos Tronos e A Muralha de Gelo.

4) Tá bom Fabrício, eu admito, devia ter te ouvido antes e ter lido antes! 🙂

5) Classificação: ! – Péssimo • !! – Ruim • !!! – Regular • !!!! – Bom • !!!!! – Ótimo

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7 Comentários

Publicado por em abril 26, 2011 em Recomendo, Resenhas

 

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7 Respostas para “A Guerra dos Tronos, pequena resenha (!!!!!)

  1. Fernando Scheffer

    abril 28, 2011 at 3:04 pm

    Salve!
    É importante destacar que o volume de texto é grande devido ao número elevado de arcos. No 2º livro, eu já contei pelo menos uns 10 arcos simultâneos com histórias independentes.
    E são muuuuitos personagens. Parece uma lista telefônica. Já fiz um organograma no quadro de casa para não me perder…
    É claro que ele é, as vezes, meio prolixo, mas nada tão “Tolkien” assim.
    Vale a pena!

     
  2. Cristiano Cuty

    abril 28, 2011 at 3:40 pm

    Verdade, Fernando! E é mais um dos pontos fortes do livro, pois você pode acompanhar vários arcos ao mesmo tempo.

    Agora, haja memória para gravar tanto nome de personagem. Os apêndices no final do livro ajudam bastante. Mas mesmo assim, é complicado.

     
  3. Fabrício Camargo

    abril 29, 2011 at 10:59 am

    Organograma?????….Vc está me desafiando Fernando???!!!!

    Então, nem preciso dizer que esse livro é INSANO. Como vcs dois já cansaram de ouvir o melhor livro de fantasia que eu já li. O que eu masi curti são as teorias , quase incotáveis que existem sobre cada personagem ( quase todas baseadas em fatos do livro). Isso torna uma conversa sobre Os livros muito legal já que cada leitor interpreta o que vê pelos POVs de acordo com sua experiência.
    Gosto muito do fato das histórias as vezes se tocarem, as vezes os leitores nem percebem. No mais, boa resenha. ( Esse Fabrício parece saber mesmo das coisas).

    PS1: Fernando, Vc notou o pai do Sam aprecendo no livro 2?

    PS2: Vcs vieram fácil pro Darkside!!!

    PS3: tem mais mapas no blog do cara q fez a aventura Fernando… Se tiver paciência de achar o blog e os mapas.

     
  4. Fabrício Camargo

    abril 29, 2011 at 11:02 am

    ***** Abertura.

     
  5. Fernando Scheffer

    abril 29, 2011 at 11:19 am

    Ôooo Fabrício,

    Bem lembrado!
    Uma deficiência do livro são os mapas. Tudo xinfrim.
    Além da tradução incompleta, só são impressos dois. Aí temos que procurar na Net (que tem muita coisa).

     
  6. Victor Scanapieco

    dezembro 17, 2011 at 8:23 pm

    Orgulho dos amigos.

     

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