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Sentido da Vida

20 jan

Quando eu estava por volta dos meus 9 a 12 anos, tinha a mania de perguntar aos meus pais, professores e aos adultos que me cercavam e por quem eu nutria alguma confiança qual era o sentido da vida. Essa pergunta sempre vinha quando eu escutava a conversa dos mais velhos (e eu tinha mania de escutá-las) sobre religião, divindades e sobre coisas que acontecem em nossa vida (do tipo: mas fulano perdeu um filho, não merecia… Ah! Deve estar pagando por um erro do passado ou por erros dos seus antepassados etc.). Normalmente, pelo que me lembro, estes questionamentos vinha à tona em minha mente em momentos drásticos, como a perda de um parente, alguma tragédia ou mesmo algo que comovesse todo o país.

É claro que eu não perguntava pelo sentido da vida em si, mas queria saber o que estávamos fazendo aqui na Terra, qual era o objetivo de passarmos entre 60 e 100 anos vivendo uma vida que irá findar, independentemente de nossos esforços. E ia mais além, porque se preocupar em acumular bens, galgar cargos e renome se, num átimo, tudo isso perde o valor e nos tornamos, todos, comida de verme à sete palmos de terra? Não fazia sentido para mim. Era como passar o dia inteiro enchendo uma piscina furada. Não importa a pressão da água, o volume de litros por segundo, quando a torneira for fechada, a piscina vai esvaziar.

Cunhamos até uma brincadeira na época, que durou até os meus 17 anos. Na verdade era uma desculpa para não fazer algo que não desejava. Era mais ou menos assim: “Cristiano, você podia organizar seus livros, catalogá-los e deixá-los melhor distribuídos na estante.” – e a resposta vinha certeira – “Ah! Pra quê? Eu vou morrer mesmo!” E esse “Pra quê? Eu vou morrer mesmo!” durou anos, sempre como uma resposta brincalhona para algo de que eu queria distância.

É claro que, como todo e qualquer ser humano, eu não compreendi o sentido da vida. Mas algumas coisas passaram a ser mais compreensíveis do que outras. O acúmulo de conhecimento, experiências e vivência é não somente algo compreensível, como também algo que realmente faz sentido dentro do viver. Não sei como é a vida depois dessa vida, mas acredito que ela exista e que o que compreendemos, o que conhecemos, levamos conosco. Diferente de se acumular coisas, objetos e status mundanos. Estes vão permanecer aqui, acabar aqui, serão levados para as gerações vindouras enquanto durarem e depois serão suplantados, substituidos ou deteriorados.

E é nesse ponto que eu acredito ter encontrado o meu sentido da vida: ter projetos. Alguns dizem que eu gosto de inventar moda, outros que eu faço coisas para aparecer e ainda há aqueles que acham o máximo eu estar sempre envolvido com alguma coisa diferente do codiano. De fato, aquela vida típica “da casa para a escola, da escola para a casa” (quando eu era criança) e depois “da casa para o trabalho, do trabalho para a faculade, da faculdade para a casa” (jovem e adulto) e mais depois ainda “da casa para o trabalho, do trabalho para a casa” (ainda adulto), nunca foi suficente. Sempre foi necessário me envolver com projetos: fanzines, livros, live actions, jogos, viagens, algumas vezes esporte, arte e por aí vai. Tempo sempre curto, cansaço, conflitos, aprendizado e uma cabeça que não pára (nem quando dorme): esse é meu sentido da vida.

Percebi isso agora, em 2011. O ano começou cheio de projetos. A cabeça com idéis fervilhando e sonhos com sementes que brotam fagulhas de realização. E isso só cria motivação, vontade de fazer mais, de trabalhar mais (não o trabalho convencional, esse é necessário e ponto.), de aprender mais, de ser mais. E com tudo isso a vida passa a fazer sentido, pois não temos tempo nem motivo para pensar no real objetivo de estarmos aqui. Ainda estamos muito aquém de alcançar esta compreensão. Talvez um dia, vivendo em projetos, acumulando conhecimentos, experiências e vivência, cheguemos ao patamar necessário para enxergar através da cortina de fumaça que está entre o real da vida e a vida real.

Por enquanto, vale aquela frase que costumamos ver até mesmo em protetores de roda de caminhões, mas que é para mim a mais pura verdade: “O que se leva dessa vida é a vida que se leva”…


Post Scriptum: este post é o primeiro devaneio de 2011. A partir de agora, aqui na Toca colocarei mais textos pessoais meus. Devaneios de um qualquer, como é o subtítulo do blog. Como vinha acontecendo antes do fenômento de retomanda do Vikings: Guerreiros do Norte. As notícias sobre o Vikings estão agora no hotsite do livro (http://www.conclaveweb.com.br/vikings). Isso não significa que os vikings vão desaparecer daqui, afinal, eles fazem parte dos meus projetos e, como tal, têm espaço por aqui também.
Então, que 2011 seja recheado de projetos e atividades, ou seja, de grande realizações.

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4 Comentários

Publicado por em janeiro 20, 2011 em Devaneios

 

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4 Respostas para “Sentido da Vida

  1. Nayana

    janeiro 20, 2011 at 12:45 pm

    Abriu com chave de ouro 😉 Lindas reflexões! Lembrei do filme “A Vida de David Gale”. Em uma aula de filosofia o personagem vivido pelo Kevin Spacey cita Lacan dizendo que os sonhos são sonhos justamente por serem impossíveis; quando realizados perdem a graça. E completa, se bem me lembro dessa parte do filme, dizendo que é da essência do ser humano sempre ansiar por algo mais… Acho que é por aí. Desejo que saborei cada realização de sonhos “impossiveis” até que “percam a graça” (até que se sacie) e espero que essa insatisfação gostosa, esse não contentamento com o trivial perdure pra sempre no seu coração e na sua mente. É uma das muitas coisas que o fazem tão, tão especial! TE AMO!

     
  2. Daniel

    março 21, 2011 at 3:06 pm

    Me lembro quando ainda era criança de ver você dizer por varias vezes “Pra quê? Eu vou morrer mesmo.” Isso foi um lema de vida por muito tempo que eu sei, recordo-me bem afinal de contas te conheço a muitos anos. mas esse pequeno devaneio mostrou muito bem quem você é. Um cara que não para sempre buscando alguma novidade. Eu já penso que o que agente leva dessa vida (o Sentido dela) são as memórias as coisas que nós fizemos e aquelas que não vizemos, e levando por essa ótica, acho que você está bem, porque você ao para!!!

     
  3. Cristiano Cuty

    março 21, 2011 at 4:09 pm

    Heheheh! Com certeza o que levamos da vida é o que vale! Então, ficar parado é perder tempo!
    Valeu Daniel!

     
  4. Victor

    abril 14, 2012 at 5:07 pm

    Sabe!

     

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