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Runas do Norte #3 – Os Vikings no Cinema

06 ago

Os Vikings sempre foram tema para os mais variados tipos de histórias. Os poemas Eddas, uma saga que conta a história e a mitologia nórdica, são na verdade um conjunto de pequenos contos que, de um modo ou outro, vão suscitando ao leitor a vontade de conhecer este povo pragmático e heróico.

Hollywood tem explorado de forma ampla essa capacidade. Diversos filmes já foram feitos sobre esses aventureiros do norte, assumindo papéis ora de heróis, ora de vilões, ora de meros coadjuvantes. Infelizmente, somente em raras exceções, os estereótipos são deixados de lado nessas produções. Elmos com chifres ou asas, machados de lâminas duplas, castelos de pedra etc. são vistos freqüentemente, seja por motivos estéticos, ausência de fontes de pesquisa ou simples adequação ao imaginário existente.

Mas isso não é motivo para deixarmos de ver esses filmes por pura diversão e/ou para “entrar no clima”. Com um pouco de discernimento podemos até usá-los como referencia para aventuras de RPG, como ambientação e até de construção de personagens.

Recentemente lia-se na internet o seguinte título numa resenha:

“Valhalla Rising: Um filme sanguinolento de Vikings…”

O título pode parecer redundante, afinal o estereótipo é de que todo filme de Vikings deve ser violento. Ledo engano, pois a violência deve ser contextualizada numa época violenta onde “Homens Santos” matavam pela fé. Na verdade o viking é mais do que um guerreiro sanguinário e, vendo através da névoa de violência cinematográfica, percebe-se que são homens comuns em situações extraordinárias, demonstrando sua coragem, determinação e valor.

Existem filmes clássicos (devido época de lançamento) e filmes imperdíveis (por serem realmente bons), mas todos têm seu valor e são fonte de referências para mestres e jogadores de RPG. Abaixo segue uma lista de filmes que merecem ser destacados, em ordem cronológica de lançamento.

  • Vikings, os Conquistadores (The Vikings, EUA, 1958). O maior clássico sobre o tema no cinema, com cenas grandiosas e o excelente elenco. Einar e Eric são meio irmãos, filhos do mesmo rei viking, mas não se conhecem, um é seu legítimo herdeiro, o outro um é um ex-escravo, filho bastardo da rainha da Inglaterra. Quando eles raptam uma princesa, eles ficam frente a frente, disputando o coração dela e o trono da Inglaterra. O funeral viking no final do filme é soberbo, e as cenas iniciais são provenientes da famosa tapeçaria de Bayeux. Destaque também para a corrida sobre os remos! CLÁSSICO (Direção de Richard Fleischer, com Kirk Douglas, Tony Curtis e Ernest Borgnine).
  • Os Legendários Vikings (The Long Ships, Inglaterra / Iugoslávia,1964). Rolfe, um astuto e perigoso líder de um grupo de vikings marinheiros, parte em busca de um gigantesco sino feito de ouro depois de espalhar uma série de pistas falsas para seus colegas. Mas logo ele terá em seu encalço o destemido Aly, comandante de um grupo de mouros aventureiros. Bastante antigo, mas interessante por mostrar a relação dos vikings com povos diferentes e distantes e por situar os vikings em sua relação com o mar. CLÁSSICO (Direção de Jack Cardiff, com Richard Widmark e Sidney Poitier).
  • O Viking (The norseman, EUA, 1978). Um grupo de noruegueses empreende uma expedição de busca para companheiros perdidos, entre eles o Rei Eurich, no interior da América do Norte. Seguindo a filosofia dos westerns americanos, os índios são os maus e os Vikings os bons. O filme tem um detalhe totalmente inexplicável: como é que um negro acompanha a expedição como se fosse um viking do século IX d.C.? Os povos africanos são uns dos poucos povos com os quais os vikings não mantiveram contato. Apesar dos cuidados da produção cenográfica, a obra infelizmente contribuiu para a continuidade do estereótipo dos capacetes com chifres. (Direção de Charles Pierce, com Lee Majors, Cornel Wilde e Mel Ferrer).
  • As aventuras de Erik, o Viking (Eric, the viking, Inglaterra, 1989). O filme conta a história de um Viking, chamado Erik, que após matar acidentalmente uma mulher residente num vilarejo onde seu grupo pilhava no momento, parte em uma grande expedição por entre os mares do Norte, enfrentando diversos perigos para poder encontrar a Trombeta Ressonante, da qual lhe falara uma anciã de seu vilarejo, que despertaria dos deuses e os levaria até eles. A curiosidade do filme é de que determinados conceitos abordados na trama são inspirados na física quântica. Comédia. IMPERDÍVEL (Direção de Terry Jones [Monty Python], com Tim Robbins).
  • O 13º guerreiro (The Thirteenth Warrior, EUA, 1997). Este filme maravilhoso é baseado no livro “Os Devoradores de Mortos” (Michael Crichton), que por sua vez se inspirou no épico medieval Beowulf e nas crônicas de viagem do árabe Abraham Ibn Fadlah. Em 922, Ahmed, um poeta e cortesão árabe, cometeu o erro de se apaixonar por uma mulher lindíssima, que pertencia a outro homem. Seu ciumento marido reclamou com o califa, que então nomeou Ahmed embaixador na terra de Tossuk Vlad, uma região longínqua ao norte. Na prática, Ahmed foi expulso de seu lar e de tudo que conhecia. Por vários meses Ahmed atravessou as terras dos bárbaros e acompanhado de seu tradutor e um velho amigo de seu pai, Melchisidek, viajou pela terra dos oguzes, dos azeris e dos búlgaros até as terras dos tártaros, onde é atacado por um grupo que termina desistindo do saque após ver barcos com vikings. Ibn Fahdlan é intimidado pelos costumes dos vikings: a sexualidade abrutalhada, o descuido com a limpeza, os sacrifícios humanos a sangue frio. Até que Ahmed toma conhecimento de uma verdade aterrorizante: foi escolhido para combater os Wendol, um terror que mata os vikings e os devora, pois uma vidente decidiu que treze guerreiros deveriam lutar contra estes terríveis inimigos, mas o décimo terceiro não poderia ser um homem do norte. Assim, Ibn Fadlan se vê lutando ao lado dos Vikings em um embate de proporções inimagináveis. Neste filme se destacam diversos costumes verídicos dos vikings, incluindo o humor escachado. IMPERDÍVEL (Direção de Michael Crichton e John McTiernan, com Antonio Banderas e Omar Sharif).
  • A lenda de Grendel (Beowulf & Grendel, Canadá/Islândia/Reino Unido, 2005). Adaptado de um poema anglo-saxão chamado Beowulf, o filme é um conto medieval que trata de uma batalha do valente soldado contra uma força mitológica e também traz momentos de beleza poética únicos, já que se trata de um verdadeiro épico universal. Apesar de não ser tão conhecido entre os brasileiros, o filme tem tudo para agradar quem gosta de bons filmes de ação, reunido aventura e uma faceta mais fantástica. O soldado parte em uma caçada em busca dessa criatura, e ao mesmo tempo precisa lidar com jogos internos e também um caso de amor. Típica história do herói mítico bem filmada e bem contada. (Direção de Sturla Gunnarsson, com Gerard Butler e Ingvar Eggert Sigurðsson).
  • Asterix e os Vikings (Astérix et les Vikings, França/Dinamarca, 2006). Nesta animação, Asterix e seu amigo Obelix recebem a incumbência de transformar o adolescente Calhambix, sobrinho do chefe Gaulês Abracurcix, em um verdadeiro guerreiro. Mas, esta tarefa não é nada simples, já que o garoto só se interessa pelas modernidades urbanas. Enquanto isso, uma tropa Viking, liderada pelo terrível Abominaf, se aproxima de Gália. Eles descobriram que, supostamente, o medo é a chave para voar e por isso foram atrás de quem os ensinasse a cultivar tal sentimento. E não poderia haver pessoa melhor do que o medroso Calhambix. O jovem é seqüestrado e levado pelos vikings. Atravessando as águas geladas do Ártico, Asterix e Obelix enfrentam inúmeros obstáculos para trazê-lo de volta. Dentre eles, uma grande batalha contra o exército bárbaro e o principal: o repentino interesse amoroso que surge entre o jovem e a bela guerreira Abba, filha de Abominaf. Asterix e os Vikings é baseado no livro Asterix e os Normandos, dos desenhistas Albert Uderzo e René Goscinny, criadores dos personagens e de todo o universo gaulês. (Direção de Stefan Fjeldmark e Jesper Moller).
  • A lenda de Beowulf (Beowulf, EUA, 2007) Um matador de monstros é contratado para destruir um monstro (Grendel) que ameaça um reino viking. Entretanto, sua ambição o leva a fazer um trato com a mãe do monstro, tornando-se dono do ouro e do próprio reino, mas pagará um alto preço. Um dos primeiros filmes feitos totalmente no computador, usando técnicas de captura de movimento. Vale para conhecer o enredo, que é mais completo, mas tem várias gafes históricas, fazendo com que pareça que ele se passa ao final da idade média, entre outras coisas. (Direção de Robert Zemeckis, roteiro de Neil Gaiman, com Ray Winstone, Robin Wright Penn, Anthony Hopkins, Angelina Jolie e Crispin Glover).
  • Desbravadores – A lenda do guerreiro fantasma (Pathfinder, EUA, 2007) Há milhares de anos, os vikings tentavam conquistar a América do Norte e numa batalha, acabam deixando um menino para trás. Entre os índios americanos, ele é criado como um igual, pois acham que ele terá um papel importante na batalha final, quando os vikings voltarem a atacar. Roteiro bastante previsível e apresentação dos vikings de uma forma nada parecida com o real. Vale a pena pelas imagens dos Drakkars (e só!). (Direção de Marcus Nispel, com Karl Urban e Moon Bloodgood).
  • Outlander – Guerreiro vs Predador (Outlander, EUA / Alemanha, 2008). Os Vikings, grandes exploradores e desbravadores dos mares, seguem numa jornada quando uma criatura gigante e poderosa surge e pode destruir toda a população. Para salvá-los, o povo contará com a ajuda de um homem vindo do futuro que poderá deter a fúria deste predador. Para isso será necessário unir a coragem e os conhecimentos deste soldado com a força dos Vikings para vencer esta batalha. A vida dos nórdicos, as cidades e vilarejos são muito bem retratados no filme. (Direção de Howard McCain,com James Caviezel, Sophia Myles, Jack Huston).
  • Uma Saga Viking (A Viking Saga, EUA / Dinamarca, 2008). Único sobrevivente de uma pilhagem em uma vila Viking, o jovem Helgi é levado por seu tio, Rurick, para o reino governado pelos mesmos atacantes de sua vila. Lá, ele encontra os homens que mataram a sua família. Enquanto ele planeja a vingança contra estes guerreiros perigosos, Helgi acaba encontrando alguém que ele pensava que nunca mais veria em sua vida. Um filme de ação na era dos Vikings, passado no reino dos Dinarmaqueses.
    (Direção de Michael Mouyal)
  • Como treinar seu dragão (How to Train Your Dragon, EUA, 2010). Animação passada em um mundo lendário de vikings musculosos e de dragões selvagens. Baseada no livro de Cressida Cowell, a comédia de ação conta a história de Soluço, um Viking adolescente que não combina muito bem com a longa tradição de sua tribo de heróicos matadores de dragões. O mundo de Soluço vira de cabeça para baixo quando ele encontra um dragão que desafia tanto ele quanto seus companheiros Vikings a encararem o mundo de um ponto de vista totalmente diferente. (Direção de Dean DeBlois e Chris Sanders).
  • O guerreiro silencioso (Valhalla Rising, Dinamarca,2010) Valhalla Rising conta a história de One-Eye, um guerreiro caolho e mudo que possui uma força que ultrapassa o natural e que por isso foi mantido como prisioneiro por muitos anos. Com a ajuda de um garoto chamado Are, One-Eye mata o homem que os mantinha presos e, juntos, fogem para sua jornada. Eles se unem a um grupo de vikings em seu navio, que, envolvido por uma neblina, perde seu rumo acaba em uma misteriosa ilha. Nessa ilha One-Eye irá enfrentar seu destino e conhecer melhor sua verdadeira origem. Detalhe: o filme é muito, muito ruim! Não espere por ação ou grandes cenários, mas sim por momentos de um silêncio prfundo e de poucas coisas acontecendo… (Direção de Nicolas Winding Refn, com Mads Mikkelsen).

Existem ainda outros filmes, peças teatrais e, deve ser destacado, operas que retratam os vikings. A principal ópera é o Anel dos Nibelungos (Der Ring des Nibelungen) de Richard Wagner que conta a saga dos Volsungs (em Vikings: Midgard Agantyr Volsung, descendente de Sigurd, é o Rei de Denamark), linhagem de semideuses filhos de Odin. A ópera é dividida em quatro partes: Das Rheingold (O Ouro do Reno), Die Walküre (A Valquíria), Siegfried e Götterdämmerung (O Crepúsculo dos Deuses). Tanto o enredo como a música são fantásticos, entretanto esta ópera é uma das históricas responsáveis pela vinculação dos vikings aos elmos adornados (chifres, asas etc.) e às valkirias rechonchudas.

Em breve teremos a estréia de Thor, da Marvel. O filme é sobre o herói dos quadrinhos e como nas páginas das revistas vem recheado de deturpações da mitologia e do povo nórdico. Mas vale a pena assistir, principalmente para ver o lendário Mjolnir em ação.

E até no Brasil temos um filme que remete aos vikings e à mitologia nórdica. Infelizmente não é um exemplo nada bom e estes nós, definitivamente, NÃO recomendamos. Trata-se de Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida, no qual haveria uma cidade viking subterrânea situada no subsolo da Amazônia, contendo vários tesouros. No filme, a rainha dos baixinhos é descendente dos vikings… Se você acha que enfrentar dragões hrodsorm, trolls, gigantes e mortos-vivos não é aventura suficiente, pode se encorajar e assistir a esta pérola do cinema nacional! J

Texto de Fernando Scheffer, com retoques e acréscimos de Cristiano Cuty.

[ATUALIZAÇÃO – 20/08/2010] – Incluido o filme A Viking Saga e comentário sobre o filme Valhalla Rising.

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3 Respostas para “Runas do Norte #3 – Os Vikings no Cinema

  1. Nayana

    agosto 6, 2010 at 1:54 pm

    Céus, só assisti ao 13º Guerreiro e tive uma tentativa frustrada de ver “Como treinar seu dragão”, que ja´me disseram ser ótimo. E ainda fico sem opção quando chego nas locadoras :-O

     
  2. ByM

    agosto 9, 2010 at 5:10 pm

    Até hoje acho o 13º Guerreiro um dos mais phodas filmes com vikings…

     
  3. Cristiano Cuty

    agosto 11, 2010 at 3:56 pm

    Detalhe: o Guerreiro Silencioso (Valhalla Rising) é MUITO ruim. Não recomendo! Em breve uma resenha aqui…

     

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