RSS

GURPS novamente no Brasil

25 jun

No início do mês de junho a Devir Livraria iniciou uma campanha publicitária ainda não visto no mercado de RPG brasileiro, o Topsecret. Foi uma mistura de ARG com viral, cujo objetivo era não apenas divulgar o próximo lançamento da editora, como também aguçar a curiosidade de todos os interessados no assunto. Foram colocadas pistas no site, enviadas cartas enigmáticas para os principais portais de RPG do país e criado um concurso que premiaria não somente aqueles que descobrissem qual era o lançamento, mas que também embasassem de forma coesa os dados que usou em sua investigação. Os jogadores de RPG brasileiros ficaram sobressaltados e houve todo tipo de descofiança sobre qual seria o lançamento: de Unknow Armies a CoC D20. Por fim, no início dessa semana a Devir finalmente anunciou qual seria o lançamento: GURPS 4a edição!

Foi uma surpresa para muitos. Poucos acreditavam que seria o GURPS. Para quem não sabe o GURPS (Generic Universal Roleplaying System) foi o primeiro sistema de RPG que chegou ao Brasil em português. Foi o primeiro sistema que eu joguei lá nos idos da década de 90 do século passado! Ele foi muito jogado no Brasil, mas perdeu espaço para o D&D (principalmente depois do BOOOMM! D20) e para os livros do World of Darkness (Vampire, Lobisomem, Mago etc.). Além disso, surgiram livros nacionais que ofereciam uma alternativa legal por um preço mais acessível e com menor complexidade (Crepúsculo é um desses). Aliás, a complexidade é o calcanhar de Aquiles do GURPS…

GURPS4a Edição - Livro Básico - Personagens

GURPS4a Edição - Livro Básico - Personagens

Assim que a Devir publicou o anúncio oficial do GURPS 4a edição muita gente torceu o nariz para a notícia. Acontece que o GURPS é conhecido por ser muito complicado. É um sistema que simula de forma sem igual a realidade e que, por conta disso, torna-se um jogo que pode adquirir uma complexidade tremenda. Jogá-lo de forma simples usando todas as regras só seria possível se todos os cálculos fossem feitos por um computador (um bom computador!). Tem regra para cavar buracos, regra para um personagem subir nas costas do outro, regra pra isso, regra pra aquilo! Os mais shiitas dizem que tem regra até para medir a capacidade sexual dos personagens! É regra, fórmula e cálculo para tudo o que se pode imaginar, num livrão (dividido em dois tomos de mais de 200 páginas cada) que, segundo a lenda, foi elaborado sob princípios da física.

De fato, se um mestre decidir usar todo o conjunto de regras disponível, numa sessão de três horas o seu personagem não vai conseguir sair de casa (tantos serão os testes e cálculos a serem executados). Mas RPG é feito pelos mestres e jogadores e não pelo livro. O livro é o suporte, a base pela qual tudo se desenrola. Eu e meu grupo jogamos GURPS durante mais de 10 anos e nos divertimos demais! Guardo na memória momentos fantásticos de minhas aventuras com o sistema de Steve Jackson. Basta saber usar as regras, adaptar, para tornar o jogo ao mesmo tempo realista e divertido. Eu, por exemplo, não usava o sistema básico e nem o avançado de combate. Usava o sistema basicamente avançado que era uma mistura das duas alternativas. É óbvio que também nunca usei a regra para cavar buraco ou qualquer outra coisa que pudesse contribuir para tirar o ritmo da narrativa.

GURPS4a Edição - Livro Básico - Campanhas

GURPS4a Edição - Livro Básico - Campanhas

E é nesse ponto que me anima o anúncio da Devir! Conforme foi dito o objetivo não é simplesmente lançar um livro, mas tornar o jogo acessível ao público, trazer novos jogadores para o hobbie e fazer do RPG uma modalidade de entretenimento e não somente um jogo para aficcionados por fantasia medieval ou vampiros. O GURPS permite isso, pois é um sistema modular. É como comprar móveis modulares para a sua casa. Se uma estante não cabe, você simplesmente não leva. Compra e organiza tantos módulos quantos forem aqueles que atendem à sua necessidade. Como eu sempre disse, o GURPS tinha tudo para ser o D20, um sistema aberto, com possibilidade de publicação de qualquer cenário, por qualquer editora (espero que alguém lá dentro pense assim também). Se forem realizadas pela editora ações que visem realmente tornar o sistema mais simples e popular, creio que o GURPS pode representar uma nova chance de o RPG crescer no país.

Então, para aqueles que continuam torcendo o nariz, vai a dica: procurem se inteirar, pois o GURPS oferece muitas possibilidades e pode representar muito para nosso hobbie (a Iniciativa GURPS é um bom lugar para conhecer o sistema). Eu, como um otimista inveterado, estou começando a acreditar que estamos nos aproximando de uma nova era de ouro do RPG no Brasil, como aquela de meados da década de 90. Que os deuses do Roleplaying Game também pensem assim, eles não rolam dados, mas nós rolamos (3d6)! 🙂

Anúncios
 
3 Comentários

Publicado por em junho 25, 2010 em RPG, HQs e Cards

 

Tags: , , ,

3 Respostas para “GURPS novamente no Brasil

  1. Francisco

    julho 2, 2010 at 3:21 am

    Espero que acabe essa lenda de que o GURPS é complexo, afinal é uma coisa totalmente sem fundamento. Me custa entender quem discorda disso. Mecânica básica do GURPS: Role 3d6 e compare com o NH. Mecânica básica de velho sistema Storyteller: Some atributo com perícia, role o número de d10 correspondente, compare com o número alvo, some os sucessos. se um dado der 10, role novamente para acrescentar possíveis sucessos.

    Pode me chamar de maluco, mas acho uma mecânica potencialmente mais lenta e complicada a do storyteller, e eu não vejo críticas ao sistema. (Além de exigir mais dados…) Rsrsrsrs…

     
  2. Cristiano Cuty

    julho 2, 2010 at 10:06 am

    Realmente Francisco, se você pensar bem a mecânica básica de qualquer RPG é trivial. No D20 rola-se um D20 e soma-se o modificador, no Clavius rolam-se D10 e deve-se obter um resultado menor ou igual ao nível de habilidade, no GURPS rolam-se 3D6 e deve-se obter um resultado menor ou igual ao da perícia, no CoC rola-se um D100 e deve-se obter um percentual menor ou igual ao desejável para aquela ação, e por aí vai…

    A complexidade atribuída ao GURPS está nas minúcias, nos detalhes que, como disse, podem ser ignorados pelo bem da narrativa.

    E concordo contigo quando fala do Storyteller. Não acho mais complicada, mas acaba sendo potencialmente mais lenta sim e tem um série de falhas que deixa muita coisa na mão do mestre.

    De qualquer modo quem faz a aventura são os jogadores e o mestre. Se estes elementos forem bons, estiverem interessados e a história for boa, não há sistema que atrapalhe.

     
  3. Francisco

    julho 3, 2010 at 8:11 am

    Não há sistema que atrapalhe mesmo. Só que ajude. Digo isso pois, como todo RPGista que já pôde combinar uma paixão declarada pelo RPG com boas doses de tempo livre, já me atrevi a jogar campanhas inteiras com sistemas próprios, que se vistos do ponto de vista da qualidade para edição profissional, eram pueris, mas… Como foram divertidos de se jogar e de se fazer!

    Valeu!

     

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: