RSS

Download pago ou pirataria?

26 nov

Faz alguns dias que recebi um e-mail da Saraiva Online com o seguinte título: Lançamento de séries e filmes para download digital. Obviamente, corri para ver se aquele e-mail se tratava do que eu estava pensando. E era isso mesmo! Finalmente no Brasil, temos um sistema de venda de arquivos de vídeo pela internet. A Saraiva está comercializando cada um dos episódios de algumas séries e alguns filmes já lançados em DVD para download.

O Poderoso Chefão Para Download

O Poderoso Chefão Para Download

Para os piratas de plantão isso pode soar como algo surreal ou esquisito. Mas esta já é uma prática muito difundida no exterior. Os gringos, em alguns casos, assinam “canais virtuais” que permitem baixar ou assistir online a um determinado número de vídeos por mês. E os preços são bem mais em conta do que alugar o DVD ou comprá-lo. E no Brasil não está me parecendo diferente. O usuário pode comprar o filme (e aí baixa o arquivo para seu computador e pode executá-lo quando der na telha, quantas vezes desejar) ou alugá-lo (nesse caso o filme fica disponível por 24 horas a partir do primeiro “play”, expirado o prazo o arquivo pára de funcionar ou exige uma senha de acesso que só é obtida pagando-se por um novo aluguel).

Supernatural para download

Supernatural para download

Mas é aí que vem a grande questão. Vivemos num país em que não existe a cultura de propriedade intelectual. O que alguém cria não é dele, mas de todos. Aqui no Brasil mostrar-se antipirataria é ser taxado de quadrado, ultrapassado e até maluco. É fato que a maior parte dos brasileiros não encara o feitio artístico/intelectual como algo proprietário, mas sim como algo a ser consumido e comercializado sem qualquer preocupação com quem o fez. E o que mais se ouve é aquele velho argumento de que o CD e o DVD originais são caros e que, por isso, compra-se pirataria. Para mim esse argumento é furado, pois se eu não posso ter uma Ferrari original eu não vou comprar uma pirata…

Mas, independentemente desta minha opinião, será que com filmes e séries sendo oferecidos em alta qualidade, para download a preços módicos, isso vai diminuir a pirataria? E plausível pensar que um pirata irá optar por pagar um valor mínimo por um filme para ter um arquivo “oficial”? Ou esse sistema vai alavancar ainda mais os downloads piratas, uma vez que estão sendo disponibilizados filmes na internet e basta isso para o pirata descriptografar o arquivo e disponibilizá-lo gratuitamente em “e-mules” e “torrents”? Ou teremos a entrada de um novo tipo de cliente, que não baixava filmes antes por não ter acesso aos meios (ou seja, não conhecer torrents e emules, por exemplo) e que agora vai fazer o download pago? E ainda, será que com essa nova forma de comércio de filmes haverá maior pressão e maior controle por parte dos órgãos combate à pirataria?

Eu não tenho as respostas para estas questões. Mas acho que vale a pena acompanhar e ver no que dá. Esse ponta-pé inicial da Saraiva no Brasil pode ser a ponta de lança para uma nova modalidade de comércio no país, ou simplesmente, mais uma tentativa frustrada de negócio virtual…

Download de Original Vs. Pirata, quem vence essa luta?

Download de Original Vs. Pirata, quem vence essa luta?

Anúncios
 
4 Comentários

Publicado por em novembro 26, 2009 em Devaneios, Internet

 

Tags: , , ,

4 Respostas para “Download pago ou pirataria?

  1. Nay

    novembro 27, 2009 at 9:02 am

    Supernatural, Big Bang, Fringe, Lost… Eu quero! Pena que to desatualizada sem internet 😦

     
  2. Fernando

    dezembro 1, 2009 at 12:51 pm

    Ooo Rapaa,

    Esta questão é importante e seu comentário louvável, mas não creio que o problema da pirataria seja a não valorização da propriedade intelectual. Talvêz um pouco, mas não a principal.
    Tenho absoluta certeza de que o problema rola em torno do dinheiro/consumo.
    A desvalorização da propriedade intelectual acaba se atrelando ao principal problema: “a marca”. Em 100% dos casos a marca agrega valor sem alterar a qualidade do produto (lembra da Ferrari). E inconsientemente sabemos disso e se houver passibilidade vamos tentar passar a perna na marca, sem pena.
    No shopping Oi (em BH) não vende Ferrari, mas vende Rolex, e se tivesse vendia muito.
    Todos sabemos que o povo quer consumir, mas não tem dinheiro sufuciente. Prato feito para a malandragem.
    Taí o principal problema: o consumismo.

    T+

     
  3. cristianocuty

    dezembro 3, 2009 at 12:46 pm

    Fernando, eu discordo um pouco. Acho que se as pessoas valorizassem mais a propriedade intelectual o índice de pirataria seria maior. As pessoas não roubam uma camisa de outras, mas copiam seus filmes e os comercializam. Para mim isso é apropriação indébita e com fins de lucro…

    Mas concordo em relação ao consumo… As pessoas ávidas por consumir e sem ter dinheiro, acabam apelando para a pirataria. O problema é que o atual mercado de consumo transformou o que era desejo em necessidade. Então, a linha que separa o supérfluo do necessário está cada vez mais tênue. E como para o que é necessidade praticamente “vale tudo”, a pirataria é a saída.

     
  4. nay

    dezembro 4, 2009 at 10:43 am

    Se as pessoas valorizassem mais a propriedade intelectual os índices indicativos da pirataria seriam menores, não?

    Com relação ao consumismo… você podia, um dia (quem sabe?), colocar os vídeos “A história das coisas” na Toca. 🙂

     

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: