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Freio Tecnológico

16 jan

Faz alguns dias que eu e meu amigo @sandrim estávamos conversando sobre a velocidade com que a tecnologia evolui atualmente. É realmente espantoso se pensarmos que há poucos anos atrás um computador ocupava um andar inteiro de uma edificação e era capaz apenas de operações muito simples. Hoje temos um computador portátil que pesa menos de 1 kg nas mãos e nos permite acessar uma rede mundial de qualquer lugar. Há alguns anos, enviar um documento para a Europa, por exemplo, poderia levar mais de um mês, mas hoje, nós enviamos e temos a resposta em menos de uma hora. Realmente, a tecnologia evoluiu assustadoramente e mudou a maneira como a sociedade se organiza. No entanto, por outro lado, existe um freio tecnológico que emperra uma evolução ainda mais rápida. Mais rápida?! Como assim?

Isso mesmo, mais rápida! É fácil notar como alguns detalhes de determinados produtos são deixados para trás e depois lançados numa nova versão daquele produto. Um exemplo claro é o iPod Touch. O aparelho de 2ª geração possui controle externo de volume e auto-falantes internos (que permite ouvir os sons sem o fone de ouvido), dentre outras “inovações”. O lançamento do produto aconteceu bem pouco tempo depois do de primeira geração e aí eu pergunto: você realmente acredita que os engenheiros da Apple não tinham pensado nesses detalhes quando criaram o iPod 1G? Pense bem, já existia o iPhone, que conta com essas características. E pensando que o iTouch é uma espécie de versão sem telefonia do iPhone, o mais lógico era que ele saísse com estes “pormenores”.

iTouch 2G - Controle de volumes e auto-falantes, por que não também no 1G?

iTouch 2G - Controle de volumes e auto-falantes, por que não também no 1G?

E essa é a grande questão: você compra um produto, gosta dele, passa a usá-lo e nota que tem algumas alterações fariam muito bem ao produto, então a empresa lança um aparelho novo com aquelas coisinhas que você tanto desejava. O que você faz? Compra a nova versão! Lucro duplicado para o fabricante do produto.

Pode parecer paranoia, mas é só pensar um pouco. Quantos novos processadores a Intel lançou nos últimos dois anos (Core, Core Duo, Core 2 Duo, Quad Core, Core 7i etc.)? E os celulares? Você acaba de comprar um que quase faz café expresso e logo em seguida eles lançam um que faz até cappuccino (além de ligar, é claro)! Hoje temos milhares de TVs de LCD e Plasma em promoção, pois as FullHD vieram para tomar o espaço das comuns (e quem comprou as comuns?). No mercado de veículos isso acontece há bastante tempo. Quantas vezes as mudanças em um veículo de um ano para o outro são meramente estéticas, com um pequeno (quase imperceptível) detalhe tecnológico que já poderia estar no carro há anos? E por aí vai, no mercado de eletrodomésticos, eletrônicos etc…

A mídia incentiva essa demanda. O legal é ter o novo! Não basta ter um celular que toque mp3, o legal é aquele que, além disso, tem teclas infravermelhas ou visor sensível ao toque. A tela do seu celular não é colorida?! Você vive em que século? Lembrando que os celulares com telas coloridas começaram a circular por aqui há menos de 7 anos…

E o que acontece com tudo isso? O que é feito com os produtos que são rejeitados e substituídos por outros, mais modernos. Não, eles não estão revoltados num deserto, se reunindo para tomar o mundo (Eu, Robô). Eles viram lixo! Um lixo que não pode ser facilmente reciclado, que entulha aterros e que ainda não tem a destinação ideal. Em breve teremos um post sobre isso aqui. Por enquanto, pense no que as empresas de tecnologia estão fazendo com o seu bolso e com o nosso planeta e encontre alternativas. As vezes, o cool não é ter a última novidade tecnológica, mas saber fazer bom uso daquela tecnologia que se tem em mãos…

 

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5 Comentários

Publicado por em janeiro 16, 2009 em Opinião

 

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5 Respostas para “Freio Tecnológico

  1. Inutil

    janeiro 16, 2009 at 10:30 am

    Um outro caso semelhante acontece em softwares tbm, de forma mais simples inclusive…
    por exemplo o Microsoft office quem vem com o Vista tem a barra superior inteligente, ela muda toda vez que voce abre um novo documento de acordo com oque voce mais usa etc etc, na verdade essa barra deveria mudar durante o uso do programa ela iria mudando de acordo com oque voce precisaria e tal mas a microsoft alegou que esse salto era muito radical (barra estatica -> barra dinamica) e guardaram essa tecnologia pro proximo office…

     
  2. Fernando

    janeiro 20, 2009 at 10:56 am

    Concordo plenamente com o que você apresenta e acrescento o fato de que, às vezes, passamos a “tentar” procurar o momento certo para adquirir certo produto. Como assim?! Falando: – Só troco o celular quanto aparecer um que extrai dentes… Ou que toca Sax … Ou que traduz instantaneamente para o Húngaro… No meu caso eu só troco quando o preço cai para patamares de “não lançamento”.
    Entretanto, é difícil não se levar pela euforia dos lançamentos. Na maioria das vezes acabamos sendo manipulados pelo marketing e ficando um pouco frustrados por isso.

     
  3. cristianocuty

    janeiro 22, 2009 at 8:44 am

    Com relação à essa questão de quando comprar, a Superinteressante fez uma materia legal a respeito. A matéria começa com a seguinte frase:

    “A melhor hora para a compra é um dia depois daquele em que você comprou”

    Ou seja, esse tipo de coisas sempre vai baratear e querer ter a novidade antes de todos é pagar mais caro e servir de cobaia…

    Para ler a matéria completa da Super no site é só acessar: http://super.abril.com.br/superarquivo/2007/conteudo_540732.shtml

     
  4. Karla Nogueira

    janeiro 22, 2009 at 12:30 pm

    Oi Cuty,

    com esse artigo você tocou em um ponto fundamental, que é a questão do consumo consciente. No fundo, nos deixamos levar pelos modismos e muitas vezes, sequer nos perguntamos se aquele dado produto terá ou não utilidade.

    Ou seja, será que vamos realmente usar aquela “tecla infravermelha”? Obviamente, não sou contra o consumo, mas precisamos consumir sem “consumir o mundo”. É preciso aprender a questionar. Do contrário, as empresas continuarão a agir da mesma forma.

    O grande problema nessa história toda é que ninguém quer fazer a sua parte. Sou ecológico, mas ando de 4×4 na cidade.

    Abs!

     
  5. Nay

    julho 13, 2009 at 9:27 am

    Bem, não sou nem um pouco simpatizante de tucanos, mas boas iniciativas devem ser aplaudídas. Em texto escrito há algum tempo (http://nayanaabreu.multiply.com/manage#_li_item_nayanaabreu:journal:4) disse que a mudança de comportamento só iria acontecer quando o lixo batesse em nossas portas… Quem sabe com Leis regulando essa mudança, ela não ocorra mais rápido, né?

    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090712/not_imp401413,0.php

     

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