RSS

No-Brand, uma tendência?

27 nov

Quando alguem falar em McDonalds qual a primeira coisa que vem à sua cabeça? Arcos amarelos? Obesidade? Sanduiches? Milk Shakes? Falta de saúde? Fritas crocantes? Super-size me? Picles? Pois é, a marca McDonalds está sofrendo de uma falta de padrão no sentimento que causa às pessoas. Não existe mais aquele conceito de uma década atrás, em que McDonalds era sinônimo de coisa boa, de qualidade e de comida cool. Antes se você era jovem e era antenado, popular ou engajado, você ia comer na lanchonete do Ronald, porque era legal. Mas e agora? Podemos dizer que, assim como um carro velho, a marca do McDonalds sofreu uma baita depreciação.

Por isso mesmo a empresa iniciou um processo de redesenho de sua marca esse ano. Além de mudar as cores características (amarelo, vermelho e um pouco de branco), que está passando para a predominância do branco (branco associado à saude), estão sendo reconstruídos novos quiosques, criando uma redistribuição mobiliária em suas lojas e replanejando toda a publicidade das lanchonetes. Esse processo é lento e está sendo aplicado paulatinamente em cidades experimentais inicialmente, para depois se extender para outros locais. No Brasil ainda deve demorar.

Entrada da Quarter Pounder

Entrada da Quarter Pounder

Mas o que me chamou a atenção essa semana foi uma loja do McDonalds aberta no Japão. A loja é chamada de Quarter Pounder, e é só. Quando digo é só, é isso mesmo. A loja não tem logotipo, não tem o nome McDonalds, não tem os famosos arcos amarelos (apenas no site, no canto superior esquerdo e muito pequeno), não tem absolutamente nada que a identifique como uma loja McDonalds, nem o palhaço – Ronald MacDonalds – e sua turma. A única cor que permanece é o vermelho e a lanchonete é basicamente preta. Preta! Quem diria que usariam preto relacionado com comida? Mas isso é para uma outra discussão (lembrem-se da Coca Zero).

O menu é minimalista: tem apenas duas opções de lanche. O objetivo é oferecer lanche muito rápido para quem já está cansado de comer sushi. Com somente duas opções o cliente escolhe rapidamente e o preparo é quase instantaneo. É chegar, escolher e comer!

Cardápio

Cardápio

Mas o que uma rede gigantesca, a maior do mundo em termos de lanchonete, pretende abrindo uma loja que não carrega sua marca? Andei dando uma olhada em No-brand e aparentemente trata-se de uma nova estratégia de marca (ou de não marca). O objetivo do No-brand é dizer ao público que as pessoas consomem aquele produto por causa de sua qualidade e não por conta da marca que ele carrega. É uma estratégia de transição, que visa focar no produto todos os bons conceitos que eram, anteriormente, associados apenas à marca.

É mais ou menos o seguinte: se a marca está atrapalhando o desempenho do produto no mercado, tiramos a marca. Se o produto continua sendo consumido sem a marca é um sinal de que ele, por si só, atende aos anseios das pessoas. Assim, reestrutura-se a marca, a reposiciona e tem-se uma nova (antiga redesenhada) marca no mercado.

É uma estratégia arriscada. Tanto é assim que o McDonalds a implantou em apenas uma loja no Japão. Provavelmente está passando por uma fase de testes e faz parte de todo o projeto de redesenho e reposicionamento da marca da lanchonete no mercado. Trata-se de uma revolução. Imagine mudar todo o conceito, todo o desenho e toda a identidade visual de uma rede de lanchonetes mundial, que existe nas mais diversas culturas, países e modelos econômicos?

Se essa moda pega, não vamos mais saber o que estamos consumindo daqui a algum tempo…

Anúncios
 
4 Comentários

Publicado por em novembro 27, 2008 em Design

 

Tags: , , , ,

4 Respostas para “No-Brand, uma tendência?

  1. Fernando

    dezembro 1, 2008 at 2:46 pm

    A idéia é boa em si. Entretanto ela perde o sentido quando os consumedores desta loja “sem marca” ficam sabendo que é uma “de marca” só que “disfarçada”.
    Esta publicidade interrompe o processo, não?
    Tenho minhas dúvidas quanto ao No-brand…

     
  2. cristianocuty

    dezembro 1, 2008 at 2:55 pm

    De fato é um estratégia complicada… Talvez por isso ainda seja experimental.

    Mas a questão é exatamente dissociar a imagem do produto à da marca. Algo como dizer para o consumidor “olha, isso aqui é feito pelo McDonalds, mas é diferente, não é aquele sanduíche que você comia na lanchonete dos arcos dourados…”

    Se vai dar certo, só esperando para ver.

     
  3. Karla Nogueira

    dezembro 9, 2008 at 1:32 am

    Oi Cuty,

    Tenho minhas dúvidas com relação ao “no-brand”…

    “É mais ou menos o seguinte: se a marca está atrapalhando o desempenho do produto no mercado, tiramos a marca”

    Na verdade, não é a marca que está atrapalhando, mas o que ela representa. A grande questão é que nos últimos anos as pessoas passaram a se importar mais com a chamada “vida saudável” e os “Mc Donald’s da vida” não são os melhores representantes dessa vertente…rsrsrs

    Enfim, ao invés de tirar a marca, não seria o caso de inovar, criando uma nova imagem e valores a partir de uma reestruturação do próprio negócio?

    Não sei, mas em tempos de sustentabilidade e de consumo consciente (ainda engatinhando, claro…) não me parece a melhor das estratégias para conquistar o consumidor. Afinal, é a marca que nos diz quem é o responsável ou não por aquele produto.

    Abraços

     
  4. cristianocuty

    dezembro 9, 2008 at 7:50 am

    Olá Karla,

    Quando me refiro à marca, estou querendo dizer exatamente aquilo que a marca representa. Esse é o poder do Branding, não deixar a marca ser um mero signo, mas fazer com que ela seja algo que realmente agregue valor e transmita conceitos e sentimentos. Se a marca está “atrapalhando” o produto é porque todos os conceitos, sentimentos, ou seja, aquilo que a marca representa, não é mais aquilo que o público considera o ideal.

    Também não sei se o no-Brand é algo que funciona. Mas como disse, é uma coisa experimental.

    De qualquer modo, como comentei, o McDonalds está trabalhando a reestruturação de sua marca em outras lojas. Ou seja, atua em duas frentes diferentes ao mesmo tempo.

    Para mim uma coisa é certa, vou continuar não gostando da comida do McDonalds. O que presta para mim lá é exatamente o que a maioria não gosta: o picles.

     

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: