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Reforma Ortográfica – Motivo de polêmica?

06 out

Muita gente está polemizando a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa, assinada no dia 30 de setembro pelo Presidente Lula. De fato, vai ser complicado se acostumar com algumas mudanças, tais como “apoio” sem acento (estou dizendo apóio ou apoio?). Já outras vão ser uma “mão na roda” para quem digita muito, como eu. Colocar tremas nas palavras sempre foi uma coisa chata de se fazer e com a queda dele, vai ficar muito mais fácil.

Mas por que tanta polêmica? Eu acredito que seja aquela velha história do costume. Mudanças são sempre traumáticas quando estamos acostumados às coisas como elas são. Eu escrevo “vôo” há mais de 25 anos com acento e agora vou ter que me habituar a escrever “voo” dessa forma simples. Agora, imagine uma pessoa na casa de seus 50 anos, que já fez milhares e milhares de memorandos, cartas, ofícios e outros tantos documentos obedecendo a uma norma que, de repente, não existe mais? Só o tempo e o hábito vão resolver isso (ou não! Conheço gente que escreve “êle”, assim, com acento, até hoje).

Mas temos que pensar que a reforma não é tão somente uma simplificação da língua, mas a padronização e a unificação da língua portuguesa em todos os países que assinaram o acordo. A partir de 2010 todos nós, filhos das terras Lusitanas, nos comunicaremos através de um idioma único. E isso representa não só a unidade do idioma, mas, em termos práticos, a ampliação das possibilidades da língua em diversos campos. Não mais teremos softwares com as opções “Português de Portugal/Português Brasileiro”, poderemos comprar livros portugueses (e eles Brasileiros) sem o menor problema, legendas de filmes serão únicas e assim por diante.

É claro que algumas coisas terão que ser ajustadas e alguns maneirismos linguísticos jamais deixarão de existir. Entrar numa “bicha” em Portugal continuará não sendo uma questão de opção sexual, mas somente entrar numa fila. Do mesmo modo, nós, brasileiramericanizados, continuaremos com nossos termos derivados do inglês ou usados na língua original. O mouse do computador continua sendo mouse para nós, mas é rato para os lusitanos. Estes detalhes tornam a língua e a comunicação até mais interessante. E, para quem vive num país continental como o Brasil, onde o que se diz em Porto Alegre é muito diferente do que se fala em Manaus, tais diferenças vão soar como sotaques, regionalismos e expressões de cada povo.

Para facilitar um pouco a compreensão da reforma, estou anexando aqui um guia  prático produzido pela editora Melhoramentos. Afinal, agora é tudo “purrtugueis, ora pois, pois”!

Guia Reforma Ortografica Melhoramentos 2008.pdf

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19 Comentários

Publicado por em outubro 6, 2008 em Opinião

 

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19 Respostas para “Reforma Ortográfica – Motivo de polêmica?

  1. Hatalibio

    outubro 29, 2008 at 3:28 pm

    ta qse uma escrita de internet

     
  2. Cristiano Cuty

    outubro 29, 2008 at 3:30 pm

    Heheheh… Como eu disse, é polêmico o assunto. Aliás, polêmico continua tendo acento?! 😉

     
  3. labquantdoleo

    outubro 29, 2008 at 3:31 pm

    Valeu pelo Link Cuty!

     
  4. Valberto

    outubro 29, 2008 at 3:31 pm

    Sabe o que mais me preocupa nesta reforma? Se a microsoft vai lançar um dicionário atualizado para versões mais antigas do word, como o 2003 – que é a que eu uso…

     
  5. Cristiano Cuty

    outubro 29, 2008 at 3:33 pm

    Sabe se eles vão lançar esses dicionários para a versão 2007 também?

     
  6. krnogueira

    outubro 29, 2008 at 3:33 pm

    Bom, tudo bem que a lingua é algo vivo e está em constante mudança, mas questiono se essa unificação era tão necessária assim. É claro que existem diferenças com os outros países, mais isso também acontece com o inglês e o espanhol e nem por isso as pessoas de lugares diferentes ficam sem entender o que a outra está dizendo. Eu sei que os acentos são chatos, principalmente, quando temos que escrever muito, mas eles ajudam no aprendizado da língua, indicando a correta entonação das palavras (até mesmo o trema…rs). Enfim, se não tem jeito, vamos aprender a “nova” língua.
    Já que estou aqui, vai ter live esse mês ou só o “jogão” de mesa? Abraços!

     
  7. hatalibio

    outubro 29, 2008 at 3:34 pm

    É isso ae, se acostumem com a mudança, pra um dia pdoermos todos falarmos Comum! =D

     
  8. Cristiano Cuty

    outubro 29, 2008 at 3:36 pm

    E o assunto é polêmico mesmo!

    Como disse no texto, acho importante termos pelo menos um padrão comum para toda a língua portuguesa. No inglês, por exemplo, por mais que o britânico seja diferente do americano, ambos são inteligíveis por ambos os povos. As diferenças se dão por expressões idiomáticas e maneirismos linguísticos, como comentei. E isso continuará existindo no português, mesmo depois da reforma.

    Quanto aos acentos, há casos em que realmente concordo: eles são parte integrante da palavra e podem, inclusive, afetar sua semântica. Mas, outros acentos tinham mais é que cair mesmo… Sabia que o português brasileiro antes da última reforma (anterior a esta) tinha palavras com mais de um acento? Como no francês? Na época da mudança (retirada de tais acentos) muita gente ficou “pra morrer” também, e olha que naquele tempo não havia internet para as pessoas compararem…

    Há mais um ponto em que concordo com o que a maioria tem dito: a língua está se nivelando por baixo. Nosso idioma sempre foi belo, principalmente por ser intrincado e cheio de formas e possibilidades. Sempre disse que um texto em português é muito mais bonito do que um texto em inglês, por exemplo. Na verdade, isso é uma marca das línguas latinas, cujos idiomas não eram voltados para comandos de guerra, como acontece com as línguas de origem saxãs. Com a reforma atual o português será simplificado, a fim de tornar-se mais fácil e compreensível para um maior número de pessoas. A simplicidade pode tirar a riqueza do idioma…

    Mas no final, é realmente tão ruim essa simplificação? Pode ser que sim, mas basta pensar que o primeiro requisito para que algo se torne universal é a facilidade de apreensão de seu conhecimento por diferentes povos, culturas e estratos sociais. Ruim será para nós, que temos certo domínio da língua e vez por outra podíamos “tirar uma onda” dizendo a maneira certa de se escrever determinadas palavras ou corrigindo grotescos erros ortográficos de nossos chefes! 🙂

     
  9. nayanaabreu

    outubro 29, 2008 at 3:37 pm

    Não sei até que ponto essa reforma é realmente REFORMA! Simplificação? Já viu as regras pra hífen? Continua uma bagunça! Ainda haverá dupla grafia para um monte de palavras. Algumas, no português de Portugal, têm “c” ou “p” e vão continuar tento (Ex. facto – fato; reto – recto). Outras não (batismo lá era baptismo). Não está havendo uma unificação de verdade a meu ver. Acho que as diferenças continuarão muito além dos regionalismos. Alguns acentos diferenciadores estão caindo também (pára – verbo – e para – prep.). Ficaram os acentos para diferenciar formas verbais quase que exclusivamente. Imagina para quem não conhece o idioma e está aprendendo? O mesmo digo do trema. Embora fique mais fácil a digitação, como falado acima, é ele que estabelece a fonética da palavra. Se existe, o “u” é pronunciado. Repetindo, para quem não conhece como se pronuncia a palavra vai ficar mais difícil aprender o idioma. Ao revés de simplificar vai mesmo é complicar. Com a reforma acho que a grafia, representação escrita da língua, ficou mais distante da fonética, a língua falada. O aumento do alfabeto não trouxe grandes avanços. É só dar uma olhadinha nos nossos dicionários. Já utilizamos as 26 letrinhas! Meu nome é com “y”! Deixa de ter acento nas paroxítonas terminadas em ditongo decrescente, mas nas oxítonas se mantém. O mesmo para o caso do “i” ou “u” depois de ditongo. Muda-se a regra para as paroxítonas e a mantém para as oxítonas?! Qual a lógica? O gasto com a troca de livros didáticos também não vai ser pequeno. Já estão revisando os livros de 2009 a serem lançados em 2010 (data limite para a troca). Mas os que já foram lançados e estarão defasados deverão ser trocados. Bem, para não me chamarem de reacionária, eu vejo nessa reforma um ponto positivo: chamou a atenção para língua portuguesa!

     
  10. Cristiano Cuty

    outubro 29, 2008 at 3:38 pm

    Heheheheh!
    Não estou atuando aqui como um defensor da Reforma Ortográfica. Pelo contrário, o motivo do post acima, além de trazer o anexo, ou seja, servir como suporte para quem quiser se atualizar na reforma, tinha como objetivo evocar esse debate. E debates são sempre bem-vindos!

    É fato que a reforma, como quase tudo o que é feito em nosso Brasil Varonil, é capenga em vários pontos. Confesso que eu estava relativamente mal informado a respeito de alguns tópicos. E o pior, mal informado por professores de português! Conversei com dois (vou poupá-los desse embaraço) e ambos disseram coisas diferentes sobre a reforma. Segundo eles as grafias das palavras em Português de Portugal e Brasileiro seriam padronizadas e não passaria a existir duas grafias para a mesma palavra (como no caso de facto e fato). Além disso, ambos falaram da reforma com algum entusiasmo, o que me pareceu um ponto a favor…

    Quanto à inclusão das três letras no alfabeto, é claro que nós já as usamos faz tempo e elas constam em todos os dicionário que encontramos por aí. Mas não era oficial e precisava ser. O engraçado é que essas letras faziam parte do nosso alfabeto e foram excluídas em uma das reformas do passado! Só que quando as excluíram, mantiveram algumas palavras ainda as utilizando, ou seja, elas não deixaram de existir, efetivamente!

    Acho que a língua ficou mais simples sim, na escrita. Mas ela vai demandar um aprendizado fonético prévio. O que quero dizer com isso é que só saberemos que lingUiça é lingUiça porque alguém vai ter dito isso para nós antes. Do contrário, vamos ficar na lingiça mesmo (com g tendo o som de “gue”, hehehehe).

    Do ponto de vista da praticidade e da aplicação em si, a reforma pode até ser considerada pífia. Afinal, muda o que nem necessitava de ser mudado, cria novas exceções para novas regras e atua em pontos que nem sempre são os mais fundamentais. Mas temos que levar em consideração que há muito mais do que um simples código por trás disso tudo. Um idioma é a identidade de um povo, traduz sua forma de pensar e o modo como suas idéias se organizam (já tentaram pensar noutra língua para ver como as idéias fluem de forma diferente?). Padronizar as línguas faladas em vários países é mais do que mexer em palavras ou reorganizar alfabetos, é interferir diretamente na cultura do povo e isso, certamente, provoca uma série de questões políticas…

     
  11. Mafabu

    outubro 29, 2008 at 3:38 pm

    Bom, sinceramente não sei como tal reforma passou no crivo dos linguistas…

    Tantos discursos sobre a língua ser viva, e estar em constante evolução… será que os autores da dita reforma cogitam que com a Internet romperiam os “geografismos” responsáveis por tamanhas mutações na língua?

    Tantos países lusófonos… cada qual com suas características, cultura, história, etc. Agora, de repente, por força de um mandato gramatical, unidos sob uma mesma bandeira?

    Seria ótimo… claro. Só acho que não é assim tão simples.

    Roma, instituiu sua marca à força, a língua padrão. E o resultado? Ó nois aqui falando “errado”…

    Será que no fim a última flor do Lácio retornará à semente?

     
  12. Cristiano Cuty

    outubro 29, 2008 at 3:40 pm

    Hehehe! Gostei muito da “Flor do Láscio”…

     
  13. Mafabu

    outubro 29, 2008 at 3:40 pm

     
  14. Danilo

    janeiro 3, 2009 at 4:56 pm

    Misericordia! Portugues é tudo burro mesmo! Pior é ter de aceitar uma lingua q nao tem nada a ver com a nossa como portugues. É ridiculo! Se tem até programas e dicionarios que poem lingua brasileira ou como na Itália de Italiano para Braziliano. Não dá para aceitar que meia duzia de gatos pingados comandem uma lingua para mais de 190 milhoes de brasileiros! E eles abriram a mao de que? De retiram um “sutaque” idiota como por o c em carater ow fato.
    O pior ainda é o vestibular tamo tudo ferrado.
    Quem é q passa na federal escrevendo ainda vôo ou contra-regra? Só voltando pra escola mesmo…

     
  15. greyka

    junho 2, 2009 at 7:14 pm

    o que significa semântica?

     
  16. cristianocuty

    junho 3, 2009 at 12:51 pm

    Greyka,

    Não sou professor de português, mas posso adiantar que a semântica é o estudo do significado das palavras…

    Você pode ter uma definição mais completa aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sem%C3%A2ntica

     

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