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Há uma máxima entre os Neys* de que música boa é música estranha num primeiro momento. Quantas vezes já escutei: “o CD novo do fulano é ruim ou tem que acostumar?”. Musica boa tem que acostumar! Tem mesmo! Não é qualquer hit cheio de refrões pegajosos ou batida cadenciada e repetitiva… É algo mais complexo e, por conseguinte, mas dificil de ser digerido. Para gostar, você tem que ir se aclimatando, conhecendo e se permeando das notas, das viradas e das estranhezas.

Capa do novo Dredg

Capa do novo Dredg - The Pariah, The Parrot, The Delusion

Foi assim com o novo CD do DredgThe Pariah, The Parrot, The Delusion (capa ao lado, linda!). Aguardei o CD ansiosamente desde que foi anunciada a sua produção. Sempre perguntava ao meu irmão se já tinha saído. Quando saiu dei um jeito de conseguir logo. E, depois de ouvi-lo a caminho do trabalho, falei comigo mesmo: estranho… Perguntei a respeito ao meu irmão e ele disse que tinha achado meio ruim de primeira, mas que precisava escutar mais vezes para ter certeza.

Pois bem, hoje fazem 18 dias que o disco foi lançado e a contagem de execuções no meu iTunes está na casa dos 40, sem contar as milhares de vezes que eu o ouvi no iPod! O que dizer depois de tantas execuções: eu me “acostumei” depois  da terceira vez que ouvi, e o “trem é bão mesmo, sô”. O álbum vem ficando melhor a cada vez que aperto o play novamente. É claro que nem tudo é perfeito. Tem algumas músicas com as quais eu não me “acostumei” tanto assim. E tem a Gathering Pebbles que eu simplesmente não suporto! :) Mas no todo o CD é fantástico! Muito bem trabalhado, muito inovador e bem experimental em diversos pontos. Do jeito que eu gosto!

Para quem gosta de rock, rock progressivo e som trabalhado (ou seja, música de verdade!), fica mais uma vez a dica de Dredg aqui na Toca.

Ficou curioso (a)? Então leia sobre Dredg aqui também.

*Neys: grupo de amigos que poderiam ser chamados de retardados, mas que na verdade diferem um pouco da realidade normal e chata do mundo. Atendem pelo nome de Neys devido a uma entidade que luta contra as forças caninas do número cabalístico e daquela que vem pegar. Não acredita?! Então experimente uma mesa de bar num dia inspirado… :)

A reforma da língua portuguesa já rendeu polêmica aqui e serviço aqui. Então chegou a hora de render um pouquinho de humor também.

Se você, fã de histórias em quadrinhos, achava que iria escapar do novo acordo ortográfico, está muito enganado. A reforma da língua portuguesa vai afetar a todos os meios de comunicação que utilizam a nossa língua como elemento. No caso das HQs, os balões, boxes e títulos serão diretamente afetados, devendo se adequar às novas regras. Mas enquanto as novas normas do idioma ainda não entram em vigor, alguns quadrinistas estão aproveitando o assunto para “tirar um sarro” da reforma. É o caso do cartunista e ilustrador Orlandeli, que fez uma série de tiras para seu personagem Grump. Cada uma das curtas HQs é uma crítica ou simplesmente um escárnio à reforma ortográfica.

As tiras foram amplamente divulgadas na internet e algumas estão sendo disponibilizadas aqui. Veja:

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Dia de Nerd

Uma vez me perguntaram num tom pejorativo quando eu havia me tornado Nerd, e eu respondi que já nasci Nerd, só não sabia disso. Afinal, quando criança eu não tinha conhecimento de que o fato de ser apaixonado por HQs, cinema, ficção científica, fantasia medieval, tecnologia, RPG e outras coisas do gênero me credenciavam para receber um rótulo que antigamente soava como depreciativo. Mas, a despeito do que dissessem os “descolados”, eu mantive o sangue Nerd correndo em minhas veias, e hoje tenho até uma data comemorativa para isso!

Parabéns a todos aqueles que, como eu, fazem parte desse universo quase paralelo. Hoje, 25 de maio, é dia do Orgulho Nerd (eu, particularmente, tiraria esse Orgulho, pois me lembra um certo outro dia… ). O dia foi instituído em 2006 e a data foi escolhida por ser o dia em que foi lançado o primeiro filme de Star Wars. Apesar de ser comemorada há apenas três anos, a data já ganhou o renome de um Jedi, com matéria no Fantástico e promoções em lojas especializadas em produtos de cultura Nerd, como a Conclave Comic Shop. A matéria do programa da Globo até que foi legal, mas o “nerdômetro” é horroroso. Se quiser medir o seu grau de nerdísse, use o infográfico publicado nessa matéria da Super Interessante (aliás, tem coisa mais nerd do que a Super?).

Foto da matéria da Super Interessante

Foto da matéria da Super Interessante

A única coisa estranha disso tudo é saber que nós nerds estamos entrando na moda. Nerds sempre detestaram modismos, e o fato de estarmos na moda é um verdadeiro paradoxo. Mas, como paradoxo é algo típico de roteiros fantásticos e ficcionais, acho que não vamos nos importar tanto assim. Mesmo porque, esses pseudonerds que estão aparecendo por aí não passam de Padawans que têm muito a aprender (são como Pennys num mundo repleto de Sheldons). Nerd que é nerd faz piada com a própria “classe”, como neste artigo da Desciclopédia.

Então, que a Força Nerd tenha vida longa e próspera, repleta de acertos críticos, vestindo uma camisa 10+ e com poderes que superem o Super-homem! Parabéns a todos os Nerds do mundo!

Alguns vão perguntar: como assim progressivo nacional? Isso existe?! Bem, não só existe, como no caso da banda O Terço é um clássico que nasceu em 1968. E acreditem, os vovôs ainda estão na ativa e com a corda toda. A prova disso é o lançamento de seu DVD ao vivo pela Som Livre.

Show O Terço JF

Show O Terço - Juiz de Fora - Flávio Venturini em Destaque

Tive a oportunidade de assistir ao show da banda no dia 17 de abril, quando vieram a Juiz de Fora (cidade em que venceram o festival de música). Posso dizer que os senhores dO Terço estão dando um banho em muita molecada que acha que faz música por aí. Também, era de se esperar! Uma banda que tem Flávio Venturini na sua formação não é qualquer coisa. Mesmo com uma aparência cansada, Sr. Venturini continua dando um show, seja nos vocais, no violão ou nos teclados.

Mas nem de longe o ex-integrante do 14 Bis é a única atração dO Terço. Muito pelo contrário, a banda tem um todo que se completa. Todos os membros são músicos de peso. Suas letras são muito poéticas e possuem um instrumental que vai de algo meio “Sá & Guarabira” ao “Dream Theater“. Som com aquela quebradeira clássica de progressivo, mas com melodias de extrema harmonia.

Show O Terço - Juiz de Fora

Show O Terço - Juiz de Fora - Sérgio Hinds

O que mais me impressionou na véspera do show foi perceber como tão pouca gente conhece a banda. Basta ler um pouco do histórico em seu site para perceber que o trio já teve grande renome no país. E mesmo assim, quando comentava que iria ao show, alguns me perguntavam se era algum tipo de culto religioso (por causa do nome da banda). Talvez por se tratar de um grupo que sempre esteve fora do mainstreim, que se propôs a fazer algo sem intervenção da mídia de massa e que não traiu seus próprios princípios, ficou relegado aos fãs de verdade e aos admiradores de boa música.

Bem, fica aí a dica. Para quem não conhece e curte som progressivo, é uma ótima oportunidade de valorizar alguns artistas brazucas. Para quem já conhece, fica a lembrança de que o velho progressivo nacional ainda está vivo!

Depois de muito tempo sem postar por aqui, arrumei um tempinho para disponibilizar um vídeo da Globo News sobre os 90 anos da Bauhaus.

Para quem não sabe a Bauhaus foi (ou é…) uma escola alemã de design que praticamente criou o design minimalista e rompeu com as formas rebuscadas do passado. Como teve uma vida muito curta (de 1919 a 1933), penso que a Bauhaus está para o design, a arquitetura e as artes gráficas, assim como a semana de arte moderna está para o perfil artístico brasileiro.

Espero que gostem do vídeo: Bauhaus 90 anos

Campanha "Coringada" do Oscar

Campanha "Coringada" do Oscar

Eu sempre critiquei o Oscar (Academy Awards). Sempre achei as premiações do Globo de Ouro e do festival de Cannes muito mais inteligentes e imparciais. Mas o Oscar é o evento mais badalado para o grande público e a eterna frase “… and the Oscar goes to…” já vive presente no imaginário popular. Talvez por isso, todos nós, que nos tornamos fãs de algum filme, ficamos torcendo para que ele seja premiado pela Academia. E quando se trata de um trabalho primoroso, mas que é estigmatizado por se tratar de um filme baseado em HQ, fantasia ou ficção, a torcida fica ainda maior.

Ontem não acompanhei a cerimônia de entrega do Oscar. Faz tempo que não acompanho, é muito chato, muito norte americano! Mas fiquei atento aos vencedores (veja aqui a lista de vencedores). E a grande boa notícia foi a de que o Coringa aprontou mais uma das suas e levou a estatueta para casa. Eu não tenho certeza se é a primeira vez que um filme baseado em HQ ganha um Oscar, não parei para pesquisar. Mas certamente é a primeira vez que recebe um prêmio tão importante (melhor ator coadjuvante) e tão marcante na história da Academia. É a segunda vez que se dá um Oscar Póstumo (a primeira foi em 1972, para Peter Finch). E dessa vez a entrega do prêmio não teve um “quê” político ou o caráter de premiação de consolo pelo último trabalho do ator. Não, o prêmio foi mais do que merecido.

Eu me lembro quando indicaram o nome de Heath Ledger para viver do Coringa em Batman – O Cavaleiro das Trevas. Torci meu nariz e falei que ele nunca iria superar a atuação de Jack Nicholson (Batman, 1989). Nunca considerei o rapaz de Broke Back Mountain convincente, e para fazer o Coringa (dotado de uma complexidade psicológica de dar nó em Freud, Jung e Lacan) era necessário um nome de peso. Mas “paguei a língua”! Ledger não só roubou a cena, como levou para as telas toda a miscelânea de sentimentos, amarguras, desleixos, distúrbios e cicatrizes que formam a conturbada mente do personagem. Em alguns momentos chega a dar nos nervos o comportamento do Coringa, seus trejeitos e sua fala cheia de malícia. Isso sem contar a “mágica” de desaparecimento do lápis!

O Coringa - Você sabe a origem dessas cicatrizes?

O Coringa - Você sabe a origem dessas cicatrizes?

E, como havia dito aqui, o grande mérito esteve em levar para as telas o verdadeiro conceito das HQs, sua profundidade e o que tem de melhor nas histórias dos personagens. Sem invencionices, sem novos paradigmas que só fazem retalhar o que há de melhor na identidade de cada um dos personagens. No final, Heath Ledger imergiu fundo no âmago do Coringa. Espero que não tenha sido tal imersão que o levou à morte (como se veiculou por aí). Um trabalho primoroso como o dele não merece o perjúrio, mas sim o prêmio!

So, why so serious? The Oscar goes to…

Não é de hoje que a indústria cinematográfica descobriu uma nova fonte para seus roteiros: as histórias em quadrinhos.  E graças aos Deuses os produtores de Hollywood decidiram se enveredar pelos caminhos da banda desenhada! Muita coisa legal foi para as telonas. Mas desde os primórdios até hoje, tivemos uma boa dose de desacertos nas transferências dos quadros para o celulóide. Mas a idéia aqui não é me ater aos desacertos e sim falar um pouco da evolução do cinema de HQ.

É claro que houve uma sensível melhora nos filmes baseados em HQs atualmente. Se pensarmos no Punisher de 1989 (aquele com o Dolph Lundgren) ou no primeiro filme do Quarteto Fantástico (em que o Coisa parece de plástico) e compararmos com suas versões mais recentes, certamente perceberemos a sensível melhora. Por outro lado, quando pensamos no Superman I (com o eterno Cristopher Reeve) e o comparamos com o atual, sentimos que a magia do primeiro filme não está nem de longe presente neste (leia minha resenha para Superman Returns aqui). E o que esses exemplos têm em comum? Que relação há entre filmes baseados em HQ que não dão certo e os que dão? É claro que em filmes de Super-heróis os efeitos especiais contam, mas não é isso que faz a diferença… Certamente que não!

Doutor Manhatan em Watchmen

Doutor Manhatan em Watchmen

A minha tese é de que o grande problema está nas invencionices de produtores, diretores e atores. Todos querem colocar a sua marca, o seu “algo mais” na produção. E no final o que se vê é um personagem totalmente desfigurado, vivendo num cenário contraditório e se deparando com situações que nós provavelmente numa veríamos numa HQ. E são invencionices mesmo, das mais descabidas. Que fã não quis arrancar os cabelos quando viu o Superman jogando o seu escudo para aprisionar um Kriptoniano em Superman II? E o bumbum do Batman, junto com o bat-creditcard? E o Alan Quartemen de Sean Connery, que não apresentava nem um traço da decadência apresentada na HQ da Liga Extraordinária? Aliás, o que é que o Dorian Gray e o Tom Sawyer estão fazendo lá?! Tenho a sensação que os responsáveis pelos filmes não conseguem alcançar alguma profundidade nos personagens e nos ambientes em que eles estão imersos e tentam lhes imputar novas características, numa tentativa estúpida de torná-los atraentes para o grande público.

Na contra-mão desses filmes reajustados pelas mãos inábeis de cineastas, temos exemplos extraordinários de filmes em que a essência de cada personagem, cada detalhe da ambientação foi captada de forma exemplar e transferida para a telona com louvor.  Filmes como Batman – Begins, Homem-Aranha 1 e 2, V de Vingança, tiveram lá suas adaptações, seus exageros e suas “licenças poéticas”, mas a essências de seus personagens estão ali, no filme, de modo inegável. Mesmo no caso do V, em que a história é muito diferente da HQ em diversos pontos (às vezes até melhor), não há uma deturpação do que é o personagem. Seus ideiais, sua história, sua psiquê estão ali,  em movimento, vivos (e cá pra nós, tem coisa melhor para fã do que ver seu personagem favorito em carne-osso-e-celulóide?). E se um personagem faz sucesso nas HQs durante anos a fio, porque mudar seus aspectos para o cinema? Afinal, como disse algum teórico da arte sequencial, cinema é HQ em movimento!

Cosplay do Hellboy na Comic Con

Cosplay do Hellboy na Comic Con

E a interação cinema / HQ é algo excelente para ambas as partes. A roupagem dada pelo cinema muitas vezes deixa as HQs muito mais agradáveis. Eu, por exemplo, não suporto mais ver o Wolverine com aquela roupa amarela e azul. O uniforme baseado no filme é muito mais interessante e verossímil. O visual do Watchmen no filme, também parece muito mais bonito do que na HQ (apesar de ser bem semelhante). Para comprovar isso, basta ver as fotos da Comic Con 2009 – New York feitas pela @karlanogueira. Os cosplayers fazem fantasias de personagens baseadas nos filmes e não nas HQs.

Bem, se você acha que filmes baseados em HQs ainda não representam um grande filão no mercado cinematográfico da grande massa, dê uma olhada nessa “listinha” da wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_films_based_on_English-language_comics.

Por agora, fico aguardando a estréia de Watchmen, no dia 06 de março. Para quem olha pela primeira vez, parece uma história de fantasiados coloridos e sem o menor fundamento, mas, pelo menos a HQ, é uma obra de extrema profundidade, dicotomias e, sobretudo, de questionamentos sobre as escolhas humanas. Espero que o filme mantenha a mesma essência.

Post Scriptum:

1) Alan Moore, autor de Watchmen, V de Vingança, A Liga Extraordinária e Do Inferno, desaprova completamente as adaptações de suas obras para cinema. Se dependesse dele essas obras nunca teriam ido para as telonas. Ainda bem que não depende dele! :)

2) V de Vingança, juntamente com O Cavaleiro das Trevas, são para mim as melhores adaptações de quadrinhos para o cinema até hoje. V de Vingança é tão bom que, como diz o @sandrim, até dublado no SBT é ótimo!

3) Outras grandes adaptações, na minha opinião, são: 300, Punisher (de 2004 – digam o que quiserem, mas adoro aquele filme!), Hellboy, Homem-Aranha 1 e 2 (aqui há uma relação de cumplicidade com o personagem – cresci lendo Homem-Aranha), Batman Begins, Batman 1 (apesar do Michael Keaton), X-Men 2 (ver o Wolverine em ação de verdade foi bom demais) e Conan: O Bárbaro (baseado tanto nas HQs, quanto nos livros de Robert E. Howard).

A Chuva

Ontem tomei chuva. Muita chuva. Foi bom…

Os pingos gélidos caindo sobre minha cabeça pareciam gotas de um líquido restaurador, algo como um tipo de água benta, que remove todas as impurezas e lava a alma. Alguém me disse isso, que chuva é um bom sinal, que chuva vem para limpar, para levar para longe tudo de ruim que acumulamos ou que nos é imputado ao longo de nossos dias. Chuva é bom!

Eu sempre disse que a chuva era um choro dos céus. Algo como uma mágoa coletiva reprimida, que num determinado momento irrompe num pranto lúgubre. É como se a dor de muitos ou o sofrimento exacerbado de um fizesse a orbe da vida se render e prantear pelos perjúrios gerados no simples viver. Mas ao mesmo tempo em que essa força destruidora e avassaladora é capaz de causar temor, pode criar um sentimento de libertação e de leveza num transeunte que se deixa molhar sem preocupação.

Ah, a chuva…

Eu sei que é tão somente um fenômeno meteorológico. Mas não sou cientista, não sou daqueles de exatas ou biológicas. Prefiro crer na beleza do incerto, do mágico, do místico e do inexplicável. Ou, ainda, criar uma explicação que perpassa o ilógico, mais vívida, que não parece ter saído do cérebro, mas sim do coração.

Ontem tomei chuva… E tive vontade de escrever de novo.

Às vezes pode parecer mesquinharia, beligerância ou simplesmente falta do que fazer, brigar para conseguir um direito que aparentemente é pequeno. Como pode ser visto no meu post Ponto Frio é Fria eu (e vários amigos) me empenhei numa queda-de-braço ferrenha com o Ponto Frio para receber o produto que havia sido comprado. E, no final, o braço que caiu sobre o tablado foi o deles!

Vou fazer um breve resumo do que aconteceu: os meus amigos se juntaram e fizeram a chamada “vaquinha” para comprar um iPod e me dar de presente no meu aniversário. Eles compraram o produto no Ponto Frio, que estava em promoção. O anúncio era o de um iPod de 2ª geração, mas o que chegou foi o de 1ª geração. Daí por diante começou a briga… O Ponto Frio alegando que não tinha aquele produto e eu alegando que queria receber o produto que havia sido anunciado. Muitas pessoas se envolveram no caso, ajudando, engrossando o coro da reclamação etc. Descobri que muita gente havia sido prejudicada da mesma forma e todos nós nos unimos.

Uma das iniciativas mais interessantes foi a do Fred Filipini, que criou o site pontofrionao.com.br. Lá, todos os que foram lesados puderam acompanhar o desenrolar dos fatos e compartilhar informações. Com todos lutando do mesmo lado, as coisas tenderiam a se ajustar.

Foi uma extensa briga, de início de dezembro de 2008 até o final de janeiro de 2009. Publicamos tudo o que podíamos na internet, em blogs, fóruns e sites especializados, como o Reclame Aqui. Entramos em contato com o Ministério Público, oferecendo denúncia de propaganda enganosa e recorremos também ao PROCON.

Aí alguém deve dizer: mas tudo isso por conta de umas pequenas variações de um produto para o outro? Bem, na verdade a grande questão não é o produto em si, mas a necessidade de fazer valer o nosso direito. Se eu compro maçã, não quero levar banana para casa. É o óbvio, é o correto! E se para isso temos que mover mundos e fundos, acho que vale a pena.

Sei de gente que comprou o produto achando que era 2G, recebeu 1G, não quis reclamar e largou por isso mesmo. Eu e muitos outros decidimos colocar a boca no trombone e os dedos no teclado. Foi chato, irritante, complicado, mas no final valeu à pena. Ontem o Ponto Frio enviou o novo aparelho (de 2ª geração), efetivando a troca do produto. Devo os meus parabéns e agradecimentos a todos que se empenharam. Mais do que simplesmente trocar um produto, conseguimos fazer valer a civilidade e a cidadania.

Freio Tecnológico

Faz alguns dias que eu e meu amigo @sandrim estávamos conversando sobre a velocidade com que a tecnologia evolui atualmente. É realmente espantoso se pensarmos que há poucos anos atrás um computador ocupava um andar inteiro de uma edificação e era capaz apenas de operações muito simples. Hoje temos um computador portátil que pesa menos de 1 kg nas mãos e nos permite acessar uma rede mundial de qualquer lugar. Há alguns anos, enviar um documento para a Europa, por exemplo, poderia levar mais de um mês, mas hoje, nós enviamos e temos a resposta em menos de uma hora. Realmente, a tecnologia evoluiu assustadoramente e mudou a maneira como a sociedade se organiza. No entanto, por outro lado, existe um freio tecnológico que emperra uma evolução ainda mais rápida. Mais rápida?! Como assim?

Isso mesmo, mais rápida! É fácil notar como alguns detalhes de determinados produtos são deixados para trás e depois lançados numa nova versão daquele produto. Um exemplo claro é o iPod Touch. O aparelho de 2ª geração possui controle externo de volume e auto-falantes internos (que permite ouvir os sons sem o fone de ouvido), dentre outras “inovações”. O lançamento do produto aconteceu bem pouco tempo depois do de primeira geração e aí eu pergunto: você realmente acredita que os engenheiros da Apple não tinham pensado nesses detalhes quando criaram o iPod 1G? Pense bem, já existia o iPhone, que conta com essas características. E pensando que o iTouch é uma espécie de versão sem telefonia do iPhone, o mais lógico era que ele saísse com estes “pormenores”.

iTouch 2G - Controle de volumes e auto-falantes, por que não também no 1G?

iTouch 2G - Controle de volumes e auto-falantes, por que não também no 1G?

E essa é a grande questão: você compra um produto, gosta dele, passa a usá-lo e nota que tem algumas alterações fariam muito bem ao produto, então a empresa lança um aparelho novo com aquelas coisinhas que você tanto desejava. O que você faz? Compra a nova versão! Lucro duplicado para o fabricante do produto.

Pode parecer paranoia, mas é só pensar um pouco. Quantos novos processadores a Intel lançou nos últimos dois anos (Core, Core Duo, Core 2 Duo, Quad Core, Core 7i etc.)? E os celulares? Você acaba de comprar um que quase faz café expresso e logo em seguida eles lançam um que faz até cappuccino (além de ligar, é claro)! Hoje temos milhares de TVs de LCD e Plasma em promoção, pois as FullHD vieram para tomar o espaço das comuns (e quem comprou as comuns?). No mercado de veículos isso acontece há bastante tempo. Quantas vezes as mudanças em um veículo de um ano para o outro são meramente estéticas, com um pequeno (quase imperceptível) detalhe tecnológico que já poderia estar no carro há anos? E por aí vai, no mercado de eletrodomésticos, eletrônicos etc…

A mídia incentiva essa demanda. O legal é ter o novo! Não basta ter um celular que toque mp3, o legal é aquele que, além disso, tem teclas infravermelhas ou visor sensível ao toque. A tela do seu celular não é colorida?! Você vive em que século? Lembrando que os celulares com telas coloridas começaram a circular por aqui há menos de 7 anos…

E o que acontece com tudo isso? O que é feito com os produtos que são rejeitados e substituídos por outros, mais modernos. Não, eles não estão revoltados num deserto, se reunindo para tomar o mundo (Eu, Robô). Eles viram lixo! Um lixo que não pode ser facilmente reciclado, que entulha aterros e que ainda não tem a destinação ideal. Em breve teremos um post sobre isso aqui. Por enquanto, pense no que as empresas de tecnologia estão fazendo com o seu bolso e com o nosso planeta e encontre alternativas. As vezes, o cool não é ter a última novidade tecnológica, mas saber fazer bom uso daquela tecnologia que se tem em mãos…

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